Num país já com poucos recursos para atender aos problemas sociais, a situação se agrava quando ocorre corrupção dentro do sistema e pessoas privilegiadas são favorecidas, em detrimento de alguém realmente necessitado. Agora é a constatação de que em pelo menos três municípios brasileiros verbas do bolsa-família beneficiam pessoas de melhor posse, apaniguadas de coordenadores desse programa junto às prefeituras, isto significando que carentes ficam fora da listagem. Entre as prefeituras denunciadas figura a de Piraquara, no Paraná. O bolsa-família é um sistema de transferência de renda para amenizar problemas de miséria e fome entre populações com renda individual de R$ 100/mês. É um benefício concedido em dinheiro e resulta da unificação feita no Governo Lula do bolsa-escola, do bolsa-alimentação, do cartão-alimentação e do auxílio-gás. A fusão tornou mais ágil o sistema, que funciona em parceria com Estados e municípios. A denúncia ganhou amplitude nacional através do programa 'Fantástico', da Rede Globo, no último domingo, mostrando que pessoas carentes e relacionadas no bolsa-escola nunca receberam o cartão-benefício correspondente, significando que houve desvio e gente que não recebeu. Se a miséria social neste país já é tão acentuada, pois abrange 40% da população brasileira segundo o IBGE, entristece constatar que impera também uma miséria moral, a ponto de funcionários públicos vinculados ao serviço, na extremidade dessa linha no caso as prefeituras valerem-se da desgraça social para beneficiar a terceiros não-necessitados. Se os ditos crimes hediondos existem, este é também merecedor desse nome, porque, embora envolva somas individuais baixas, significa a totalidade para quem depende desse minguado dinheiro para subsistir. Desviar renda que pertence a tais carentes é condená-los à fome, ao definhamento e até à morte. Um delito dessa natureza é a mais abominável das corrupções, porque tange diretamente na carne cidadãos em condições miseráveis. Estas tristes informações que se somam a tantas outras no universo da corrupção mostram aspectos humanos de um Brasil ainda pequeno e insensível, tão necessitado de evoluir desse lamentável estado de consciência. Para o ano que vem o governo anuncia ampliação dessa verba assistencial, que subirá para R$ 6,7 bilhões, beneficiando 4,6 milhões de famílias. Uma considerável soma, que se é ainda um recurso assistencial e não um caminho de emancipação das pessoas, é uma solução salvadora e portanto necessária. Mas será preciso policiar a destinação desse dinheiro para que atenda à sua finalidade.

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