Muito mais do que universidade, os jovens brasileiros necessitam de cursos profissionalizantes que os habilitem às tarefas mais requisitadas hoje no mercado de trabalho. Certo é que, com qualificação profissional, há mais facilidade de encontrar vaga, mesmo ante a escassez reinante. Sem habilitação alguma, os candidatos já são rejeitados à porta da empresa, ao se apresentarem para preencher a ficha cadastral. A não ser no serviço público, onde a festa com dinheiro do povo é farta, na empresa privada já não existe atendimento a indicação de amigos para ''arranjar'' um emprego para alguém que não esteja qualificado em alguma função. A partir de um de office-boy, se exige que ele, no mínimo, saiba operar com computador e internet. Então, mais importante do que discussões acadêmicas em torno da cota de vagas para negros nas escolas superiores, é pensar em qualificar pessoas para as requisições profissionais mais frequentes, que podem oferecer trabalho a curto prazo. Obviamente que sem desprezo de que, cada cidadão, de qualquer raça, ambicione chegar ao curso superior hoje uma dificuldade que não é só para negros mas para brancos e para gente de todas as cores.
Neste país onde cidadãos formados em curso superior vão buscar trabalho na vala comum das profissões de menor grau, por falta de trabalho na especialidade em que são cursados, não é prioritário defender causas como o ingresso em universidades, de quem quer que seja. Há degraus inferiores ainda por galgar nesta nação pobre e pouco preparada profissionalmente, onde ainda faltam vagas nas escolas primárias e secundárias e os cursos profissionalizantes não são suficientes embora se louve os que existem e que são de elevado padrão, como os do Senai, Senac, Sesc, Senar e os das escolas de nível médio. O problema das carências, no Brasil, não é de nenhuma raça em especial mas de segmentos múltiplos; também não atinge especialmente a mulher, porque os homens são igualmente discriminados.
Busque-se o crescimento econômico e todos os problemas se resolverão. Mas para isso será preciso dar atenção a questões fundamentais, como grandes reformas que baixem o custo da máquina pública, contemplem os setores produtivos com a diminuição da carga tributária, desonerem a empresa de tão elevados encargos sociais sobre os salários, eliminem a burocracia emperradora, implantem uma legislação trabalhista que sirva ao empregado e a quem emprega, e tudo o mais que é preciso fazer neste país. As pessoas que chegam às universidades, nos países desenvolvidos, não dependem de fixação de cotas mas ingressam normalmente, e tal nível foi alcançado não por intermédio de políticas públicas isoladas mas pela adoção de programas desenvolvimentistas globais. No Brasil, os políticos não ousam tocar nestas questões que envolvem o próprio governo a que pertencem, os sindicatos, as correntes do atraso porém intocáveis, pela tempestade que são capazes de provocar preferindo levantar bandeiras populistas que, se não resolvem grandes coisas, lhes rendem mais dividendos.

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