Desumanidade com encarcerados no Paraná
É uma denúncia recorrente esta feita agora, pela seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil, de que é aterradora a situação das carceragens de delegacias da Polícia Civil em Curitiba, em sua região metropolitana e em Paranaguá. Isto que se conhece à exaustão foi novamente constatado por aquela entidade em visita feita no ano passado a esses locais e com resultados revelados agora. O que eles viram foi um verdadeiro depósito de pessoas, pela superlotação, péssima condição de higiene e presos doentes e sem exercer atividade física.
O Governo anuncia que dentro de quatro meses haverá mais disponibilidade de celas, mas óbvio que só essa medida não resolve. É também isto que pensa a secretária da Comissão de Direitos Humanos da entidade, Isabel Kugler Mendes, falando a este Jornal. Também se constatou na ocasião que 15% dos presos não tinham ensino fundamental e só 10% haviam chegado ao ensino médio. Imagina-se (isto não figurou no relatório) que os restantes estavam em condições ainda piores.
Outro ponto dramático é que 75% eram jovens, entre 18 e 23 anos, portanto em plena juventude. O poder público e a própria sociedade repudiam essa legião de foras-de-lei e ninguém sente-se seguro em meio a tanta delinquencia mas esses marginais (como o nome indica) estão à margem de todos os benefícios a que têm direito como cidadãos e ficam facilmente sujeitos a enveredar para a criminalidade. Conforme a promotora de Justiça Maria Costa Moura, é preciso criar um anteparo que separe os detentos que cometeram delitos leves daqueles que praticaram crimes mais graves. Isto como primeira providência. As rebeliões que ocorrem são por situações como a apontada, e representam um grito de protesto. O cenário é propício para esses acontecimentos. Ao receber o relatório da OAB a Corregedoria Geral dos Presídios e a Secretaria de Segurança prometeram estudar o assunto. É inadmissível que esses organismos permitem que as coisas cheguem a esse ponto.
Conforme a opinião das autoridades mencionadas, serão necessárias outras ações salvadoras que não apenas mais celas como ensino, qualificação profissional desses delinquentes e dos que correm o risco de cair na prisão, pela idêntica situação de miséria, e mais o combate frontal ao mercado das drogas e todas as medidas para propiciar melhor condição de vida a essa gente miserável. Se é preciso proteger a sociedade contra os criminosos, também não pode haver crueldade com os presos.





