Doente e já idosa, a fundadora das Irmãzinhas da Imaculada Conceição dava à sua congregação o exemplo de dedicação total a Jesus, a vida de santidade que deveria servir de modelo para as religiosas da casa. Foi para isso que o então arcebispo de São Paulo, dom Duarte Leopoldo e Silva, a chamou de volta de Bragança Paulista, onde ela passou nove anos encostada, depois de ter sido destituída da direção-geral em 1909.
Essa destituição é até hoje um mistério na carreira de madre Paulina. Eleita superiora vitalícia em 1903, ela foi afastada do cargo e mandada para o interior em consequência de uma confusa disputa entre as freiras. ‘‘A situação interna da comunidade ia se tornando insuportável pelo mal-estar e diz-que-diz das irmãs’’, informou uma testemunha da época no processo de beatificação.
Quando o arcebispo lhe comunicou a demissão, madre Paulina ajoelhou-se diante dele e disse que abria mão de todo o poder, espiritual e material, para obedecer a qualquer superiora, até a morte, fazendo o que lhe mandassem. E foi o que aconteceu. Na Santa Casa e no asilo de Bragança, ela cuidava dos doentes, lavava o chão, cozinhava e servia no refeitório, sem jamais se queixar de nada.
‘‘A madre fundadora deu exemplo admirável de humildade e obediência e, afastada da direção da congregação, é por todas respeitada e venerada’’, escreveu d. Duarte, em 1932, penitenciando-se pela punição que havia imposto a ela. Agora que madre Paulina virou santa, interpreta-se o castigo como se fosse uma prova do céu para medir sua virtude. É essa a opinião de dom Eusébio Scheid, que antes de ser nomeado arcebispo do Rio de Janeiro dirigiu a arquidiocese de Florianópolis, onde madre Paulina foi beatificada em 1991.
‘‘Eu não teria feito dessa maneira, mas dom Duarte pode ter tirado o cargo de madre Paulina para provar a heroicidade de suas virtudes’’, afirmou dom Eusébio, elogiando a docilidade que a religiosa demonstrou se submetendo à hierarquia.
‘‘Nunca, jamais desanimeis, embora venham ventos contrários’’, recomendava a fundadora das Irmãzinhas da Imaculada Conceição às suas religiosas, reforçando esse conselho com o próprio exemplo. Em seu testamento, verbal, madre Paulina pregava o amor a Deus e aos pobres. Além de hospitais e casas de idosos, ela abriu escolas e orfanatos para filhas de ex-escravos.

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