Destinos do Sercomtel
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de abril de 1997
Jackson Proença Testa 
Enquanto alguns londrinenses questionam se o correto é nominar-se o ou a Sercomtel, vemos, com bastante preocupação, confirmarem-se nossos temores, quando, em meados do ano passado, ousamos publicar alguns artigos (Manifesto à Comunidade Londrinense - JL de 30/5/96; Ainda há tempo de salvar o Sercomtel - FL de 16/6/96), nos quais manifestávamos nosso ponto de vista. Na ocasião, outros londrinenses manifestaram-se, como os sócios do Rotary Club de Londrina Norte e os ex-presidentes do Sercomtel Carlos Klamas e Luiz Carlos Belinetti. O promotor Bruno Galatti, cumprindo à risca seu papel de defensor dos direitos públicos, entrava com ações na Justiça, pois, na época, dois assuntos eram apresentados como de vital importância para a municipalidade: o empréstimo de dinheiro do Sercomtel à prefeitura e a transformação do próprio de autarquia em sociedade anônima. Essa transformação era saudada como a panacéia que iria resolver todos os nossos problemas, e alguns mais afoitos apregoavam que o Sercomtel iria atuar em várias regiões do país, trazendo vultosos resultados, associado que estaria com grandes grupos empresariais e financeiros.
Portanto, quem, na época, estivesse contra essas duas realizações da então administração municipal, estaria contra os destinos da cidade, daí não contarmos com maior número de adeptos às nossas premissas, embora muitos com ela concordassem mas não ousassem manifestar-se de público. Passados alguns meses, vemos, não para nossa alegria (nossos temores foram, afinal, confirmados), mas para constrangimento geral, que a transformação do Sercomtel em sociedade anônima não trouxe qualquer benefício - ou melhor, trouxe sim, ao erário, pois a empresa passou a pagar impostos (em torno de 40% do resultado, o que equivale hoje a cerca de R$ 500 mil mensais - já temos aí quase 5 milhões de reais que poderiam estar aplicados em investimentos na cidade!).
Outra desvantagem: como empresa estatal, o Sercomtel não tem flexibilidade, está sujeita a impostos e à burocracia da Lei 8.666/93, a Lei de Licitações, ao contrário do que se apregoava na época. Falou-se na época que o Sercomtel conquistaria novos mercados através da Banda B. Entretanto, com a regulamentação da lei de telecomunicações, tal premissa não aconteceu, como prevíamos. Resta ainda a sugestão de parceria com a Telepar, para fortalecimento da Banda A, para enfrentar a concorrência da Banda B.
À época da publicação de nossos artigos não víamos, como não vemos hoje, justificativa técnica que alicerçasse a transformação em S/A. Talvez agora a verdade esteja vindo à tona, com o imbróglio do escândalo dos precatórios, com respingos nas negociações havidas com o lançamento das ações do Sercomtel. Restam, ainda, a subavaliação patrimonial, as irregularidades apontadas pela competente e vigilante Promotoria Pública no empréstimo à prefeitura, e, principalmente, a farsa do empréstimo irregular tomado aos bancos, com caução de ações por um valor ridículo e sem que os credores tomassem todos os cuidados com as garantias, o que faz supor que não esperam receber seus créditos em dinheiro, mas em ações, as quais, com o valor real de mercado, trariam grandes lucros... Temos, aí, um caldo quente que a comunidade precisa digerir...
Espera-se que a comunidade londrinense, daqui para a frente, bem informada, com a transparência de todas as ações que vierem a ser propostas para o Sercomtel, possa participar mais ativamente de seu destino, salvaguardando esse patrimônio público que precisa continuar a ser orgulho de Londrina!


