Haja, como nunca, imaginário



Busca-se atrair para depois de amanhã em Curitiba até os candidatos Lula, Ciro Gomes, Itamar Franco para formar um dique em defesa da Copel. Correto mesmo seria convocar o Enéas, este o mais nacionalista de todos, para a mobilização que se pretende ao lado dos estudantes, sem-terra, de todos os partidos oposicionistas, inclusive os que não elegem ninguém como o PCdoB e o PSTU e que ostentam a condição de representar a massa difusa de colegiais e universitários, de rapazes do primário e pré-escola e até escoteiros.

Um clima, enfim, parecido com o da Guerra Civil espanhola dos anos 30, que montou uma legião estrangeira em defesa dos republicanos, dentre os quais Ernest Hemingway fascinado também pela Passionária. Esta, hoje, para muitos é aquela presidente da União dos Estudantes Secundários, um tanto quanto fora de forma, o que não a impediu de posar nua em Brasília. Para uma sociedade que pode olhar o Requião como se fosse o John Kennedy, o Hermas Brandão como o Churchill, Rubens Bueno como o Roosevelt, vale tudo no universo do imaginário.

O inconsciente coletivo arma dessas coisas: muitos curitibanos, nem todos do PT, foram a Londrina brigar antes pela vitória de Cheida (apoiado pelo Antonio Belinati, lembram?) e mais recentemente pela de Nedson Micheleti, como se estivessem se dirigindo à Espanha para brigar contra as tropas de Franco.

Nessa arrancada recente dos estudantes na invasão da Assembléia Legislativa não poucos (os que têm alguma noção mais ou menos intelectualizada da política, o que é raro) pensaram no gesto épico do jovem Fidel Castro contra o quartel de Moncada e que acumularia energia, por certo, para a vitória da Revolução, apoiada no início até pelos Esteites.

Com o traço plebiscitário que as coisas assumiram, por incompetência do governo na guerra da informação, tudo é maniqueísmo: as forças do Mal estão no Palácio Iguaçu (embora o neto de Lerner se chame Ben), as do Bem com o povo.

Normalmente, adverte um amigo de pescarias, Getúlio de Castro, um cético diante do rumo da humanidade e da globalização, a vitória é do Mal. Hoje o Doutor Silvana vence o Capitão Marvel antes de Billy Batson pronunciar ''Shazam'', o Pinguim derrota Batman e o acusa publicamente e com provas (teipes e fotos) de ter um ''caso'' com Robin e assim por diante. Isso na realidade, pois a vitória do Bem prevalece apenas na fantasia.

Como diz melancolicamente Galileu na peça de Brecht, ''infeliz do povo que precisa de heróis'' numa convocação à lucidez impossível e radical, pois quem sonha tem mitos. Todos nós, felizmente. Tanto que Deus tem nossa imagem. É rigorosamente antropomórfico, apesar de sua onipresença abstrata.



AFORÍSTICO

Dizem que o Hauly é artista com as manobras para salvar o alvarismo no tucanato. José Anibal acha que é autista por ter se recusado a ouvi-lo



BIZARRICE ''E o Litro, como está?'' perguntou nervoso o governista na sala do Hospital Vita. ''Tomou litros de soro e, no momento, dorme.''



AXIOMA ''E a posição do Aparecido Custódio da Silva é firme?'', inquiriu o situacionista, tão nervoso que fumava a caneta e escrevia com cigarro. ''Esse é tranquilo a nosso favor. Custódio está sob custódia: vota com a gente ou corre o risco de um processo de cassação.''



GLOSA No jogo Brasil x Paraguai houve incompreensão do goleiro guarani. Um dos seus zagueiros aconselhou-o, diplomática e sutilmente, a ''passar uma saliva'' em Roberto Carlos e o Chilavert levou tudo ao pé da letra.



EPIGRAMA Londrina exporta democracia ao Paraná. Dá lições de cidadania com o cerco nos feitos de Belinati e agora com o plebiscito da Sercomtel. Mas isso não a livra do erro se confundir os casos, muito diferentes, da Sercomtel com o da Copel. A venda da telefônica é mais inevitável do que a da estatal. Esta pode até ser subdividida em três: a geradora, a transmissora e distribuidora. A velocidade da privatização da telefonia é a da luz; a da energia, a do som.



SPRAY Vejam a farsa da doutrina oficial: fala-se que depois de enxugar o Estado os recursos irão para saúde, educação e segurança. O saneamento vira negócio privado e ele é fundamento para prevenir doenças e obter saúde. - Vejam o que o governo calamitoso de Lerner fez com a água: a Sanepar, fruto das transformações havidas de Ney Braga para cá, tem 60% das ações e apenas 15% da gerência, segundo o deputado Neivo Beraldin, entregue à visão de lucro. - Pior é que com isso entramos pelo cano, enquanto o governo, se vender a Copel, pode ganhar a eleição, outra vez. - Por falar em água, a questão da reservação do Capivari-Cachoeira para abastecimento da Grande Curitiba tem que ser lembrada na venda da Copel. - Outra coisa que está para ser arguida é a questão do uso múltiplo da Bacia do Iguaçu e que trataria da navegação com a construção de eclusas. Imaginaram condicionar a compra da estatal a essa obrigação?



FOLCLORE Criticaram o deputado Algaci Túlio por ter quase beijado seu colega (dublê de deputado e radialista como ele e do setor policial) Tiago Amorim por ter mudado de posição no caso da Copel. Emocionado, Túlio explicou: pela causa abraço o diabo e com maior prazer o Tiago que tem nome de apóstolo.



CROMO Em Porto dos Milagres só dá lua cheia e de cenário de papelão.



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