Não devemos alimentar nenhuma esperança de que as reformas que visem à moralização da vida pública sejam aprovadas por poderes nos quais o idealismo e a probidade constituem honrosas exceções. Por esse mesmo raciocínio se chega, com facilidade, à conclusão de que uma CPI da Corrupção que, acaso viesse a ser instalada no Brasil, não poria em maior risco a segurança dos improbos. Tanto isso é verdade que dois dos principais acusados de fatos a serem nela prioritariamente investigados, não fugiram à encenação de assinar o requerimento de criação. O que causa espécie é que o ‘‘governo’’ não percebe o quanto seria fácil obter de um Congresso, por ele dominado, o atestado de inocência que só uma CPI constituída a seu gosto poderia expedir. Agora é tarde. Se for confirmado o sepultamente da CPI, confirmar-se-a, de igual modo, a má fama do Congresso e o ‘‘governo’’, mais sujo doravante, perante a opinião pública, do que pau de galinheiro, marchará rapidamente para o mais triste dos fins.
- ALCINDO NOLETO RODRIGUES, juiz aposentado, Brasília

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