O governo tem feito das tripas coração para barrar a instalação da CPI da Corrupção no Congresso. De todas as artimanhas utilizadas até agora, a mais debochada foi a criação da Corregedoria-Geral da União. A astúcia empregada para criar essa corregedoria somente logra os trouxas e alegra os menos avisados: primeiro o cargo de corregedor é de nomeação exclusiva do governo, o que acarretam dúvidas no encaminhamento de denúncias que possam envolver o próprio governo, e depois o ocupante desse cargo é passivo de demissão, ou seja, se o corregedor investigar denúncias que não deve, pode ser facilmente substituído por uma caneta. Ora, as pesquisas de opinião têm demonstrado que a grande maioria da população deseja o funcionamento da CPI, e não a criação de mais um cargo de ‘‘faz-de-conta’’, ineficaz e de ocasião, que serve apenas para desviar a atenção da opinião pública e ludibriar a instalação da CPI. Que contribuiria enormemente para minorar a tendência de impunidade que tem assolado o País, e de quebra provar definitivamente que esse governo não tem nada a temer, a não ser as denúncias de corrupção que não querem calar.
- ANTONIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO, engenheiro, Santa Cruz de Monte Castelo

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