Gostaria de fazer dois adendos ao oportuno artigo do Dr. Antônio Fancisco da Silva, ‘‘Lei dos ricos’’, publicado na Folha de ontem. Em primeiro lugar, é comum a indignação do povo com as penas muito suaves que os criminosos (às vezes) cumprem, e com a multiplicidade de recursos que prolongam inutilmente os processos. Mas os indefesos juízes apenas aplicam as leis feitas pelo Congresso – e nem poderiam agir de outra forma. Conclui-se, portanto, que deputados e senadores estão longe, neste aspecto, de representar a vontade do povo, já que a maioria dos brasileiros anseia por leis mais duras, com um processo penal mais ágil. Por outro lado, Deus seria muito injusto se não satisfizesse a avidez de justiça que devora qualquer pessoa de bons princípios. Só a certeza de um prêmio ou um castigo na outra vida poderá vacinar as novas gerações contra a epidemia de corrupção que nos envolve. Desta forma, sem o temor de Deus, que é o princípio da sabedoria, não avançaremos muito além das lamentações bem-intencionadas.
- ÊNIO JOSÉ TONIOLO, advogado e professor aposentado, Londrina

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