Desta vez, vai
A resistência do deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ) a uma coligação nacional entre o seu partido e o PT não deve ser entrave para a consumação do casamento. Ficou claro, durante a semana passada, que os problemas para a aliança são localizados e, preste atenção, só do lado do PL. Enquanto diretórios do PL dos maiores Estados divulgavam notas em defesa da união, como São Paulo e Minas Gerais, no Rio de Janeiro, Bispo Rodrigues listou outros nove onde essa combinação não daria certo. Do lado petista não se ouviu um pio, uma única reclamação contra um acordo que já foi comparado a uma concessão ideológica grande demais do partido para ganhar as eleições.
A cúpula petista agradeceu o silêncio. A essa altura do campeonato eleitoral, com Lula disparado nas pesquisas e com os adversários do PSDB apontando as armas contra a sua candidatura, conflitos internos eram tudo o que o PT não queria. Terá de atravessar um deserto de quase três meses longe dos programas de televisão até o início oficial da temporada de campanha, em agosto. Assim, sem brigas internas à vista, ficou mais fácil seguir em frente. Além da questão ideológica uma aliança à direita reforçaria a imagem de partido de centro na qual Lula está apostando o PT precisa de mais tempo na televisão durante a propaganda eleitoral gratuita.
A princípio, a divisão interna no PL pareceu pôr fim às intenções dos dois partidos. A verticalização baixada pelo Tribunal Superior Eleitoral obrigaria todos os Estados a seguirem a coligação nacional. Como na maioria deles isso é quase impossível, o acordo parecia destinado a ficar no plano das intenções. Entretanto, a cúpula dos dois partidos trabalha em sentido contrário. Isto é, querem manter a aliança nacional e liberar suas seções estaduais para fazer as alianças mais convenientes do ponto de vista eleitoral.
Pelas regras da verticalização, isso só seria possível se PT e PL se associassem, nos Estados, a outros partidos que também não tenham candidato a presidente da República. Essa saída não resolveria o problema de todos os Estados, mas garantiria algumas adesões a mais. O maior problema é que a seção Rio de Janeiro, justamente onde está a oposição mais forte ao acordo, esbarra nessa dificuldade legal. Por lá, o partido apóia a candidatura do ex-governador Anthony Garotinho, do PSB. Para casos como esse, entretanto, o PL está recomendando coligações brancas, aquelas que não são feitas no papel. É esperar para ver se cola. No PT, acredita-se que a chance da coligação oficial dar certo chega a 90%.
A PRAGA DOS VICES
A bateria de denúncias contra candidatos a vice-presidente, que já demoliu o ministro aposentado do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Paulo Costa Leite, e o deputado Henrique Eduardo Alves, virou tormenta geral para os partidos. O PT já averiguou e tem como certo que não há nada a desabonador contra o seu possível vice, o senador José de Alencar. Tanto ele quanto suas empresas estão em dia com a Receita Federal.
QUEM GANHA MAIS PAGA MAIS
E por falar em Receita Federal, o PT tem pronto um estudo propondo novas alíquotas de imposto de renda para pessoas físicas. É bastante parecido com o que já foi sugerido pelo próprio governo FHC. A idéia é criar seis faixas de imposto até chegar a 35%, como queria o governo. A diferença entre uma e outra proposta é o limite salarial a partir do qual o Leão seria mais feroz. Segundo os estudos petistas, deveria valer para salários acima de R$ 10 mil ou R$ 12 mil esse detalhe ainda não está fechado. O governo queria aplicar a dentada de 35% a partir de R$ 5 mil.
Arlete Salvador, é jornalista em Brasília





