As crianças e adolescentes que estão sendo preparados hoje, nas escolas, serão os homens que formarão, amanhã, a nação brasileira. A essa instituição acrescente-se a família e a igreja, que, juntas, forjam as sociedades futuras e constituem os três pilares que irão dar-lhes sustentação. O exemplo (mostrado em reportagem de ontem deste jornal) dos estudantes que desrespeitam os usuários dos ônibus urbanos, atesta que há uma falha do sistema educacional, a partir da família e passando pelas instituições escolares e religiosas. Porque não tem sido prioritário o ensinamento da urbanidade, do respeito ao próximo e da solidariedade humana, pela preferência (caso da escola) às disciplinas curriculares que visam preparar o aluno para o curso seguinte, e assim sucessivamente, até o vestibular e a universidade.
A reportagem mostra que os jovens estudantes, na maioria, não respeitam ninguém quando entram nos ônibus. Eles colocam os pés sobre os bancos, desrespeitam idosos e demais passageiros, e quando o veículo está em movimento provocam as pessoas que estão na rua. Não há como conter a natural energia e a euforia da juventude, mas isso difere da permissividade para a baderna e a agressão por atos e palavras. Se é difícil controlá-la, o caminho indica para a família/escola/igreja, os três pontos de mais constante frequência das pessoas, de todas as idades, e cujo fundamento é indicar rumos de vida e repassar-lhe princípios de correto comportamento.
Mas essas instituições falham, resultando no produto que hoje compõe a sociedade brasileira competitiva, pouco solidária, geradora de desigualdades sociais e com forte componente de agressividade. Se os adolescentes acabam de sair da sala de aulas e ''tomam de assalto'' o ônibus que os transporta de volta para a casa (favorecidos pela impunidade que os contempla e pela ação em grupo), então a escola não lhes ensinou nada a respeito, ou muito pouco.
Excesso de horas de aulas e de disciplinas algumas dispensáveis não dá lugar ao ensino mais importante, que é o de preparar o jovem para o respeito mútuo e para uma salutar convivência com as pessoas, para que não se convertam em maus profissionais e maus cidadãos e não trilhem pelos caminhos do individualismo, da ganância e da nociva competitividade, que cegam as pessoas e as levam a desconsiderar os direitos alheios.
É da sabedoria que uma árvore que nasce em desaprumo pode ser corrigida enquanto tenra, porque, depois de enrijecer-se, será impossível. A constatação do que fazem esses jovens estudantes, nos ônibus, é uma pequena mas preocupante amostragem e deve servir de alerta para a família e para a escola.

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