Ainda repercute em todo mundo a polêmica declaração do ministro das Finanças do Japão, Taro Aso, durante discurso na última segunda-feira. Segundo ele, deveria ser permitido ao idoso enfermo optar por morrer mais cedo e assim livrar o governo japonês de continuar bancando as despesas com os cuidados médicos e hospitalares. A frase foi dita durante encontro que discutia a reforma da seguridade social naquele país. Como se sabe, o Japão possui a maior expectativa de vida do mundo com um média de 82,73 anos, segundo a Organização das Nações Unidos. E um quarto de seus 128 milhões de habitantes tem mais de 60 anos, o que deve impactar as contas do governo japonês neste momento de crise econômica.
Aso admitiu depois que sua frase foi "inapropriada", mas insistiu em recomendar a familiares para não prolongar a vida por meio de tratamento médico. Curioso é que boa parte dos japoneses concorda com o ponto de vista do ministro. A questão suscita o debate sobre financiamento da previdência social, não só no Japão como em outros países. No Brasil, por exemplo, o Censo 2010 do IBGE apontou que a população está envelhecendo. Dos 190 milhões de habitantes, 7,4% possuem mais de 65 anos e a tendência é que este índice aumente nas próximas décadas. A expectativa de vida do brasileiro também vem subindo e atingiu 73 anos e 277 dias. Em 2012, a Previdência Social registrou deficit de R$ 23 bilhões até o mês de julho e projetava-se saldo negativo de R$ 38 bilhões em dezembro, ou seja, a arrecadação seria menor do que a despesa com o pagamento de benefícios.
O levantamento mostra que o governo deve se precaver criando e aperfeiçoando programas de saúde para a terceira idade. E também reconhecer o direito do trabalhador que contribuiu durante anos para receber um benefício digno. Além disso, é necessário destravar o projeto da Reforma da Previdência que repousa no Congresso Nacional. Os governantes precisam tratar os idosos com mais respeito e não como um fardo para o Estado.

mockup