Despropositada idéia do terceiro mandato
Pela vontade do Governo no poder, deveriam ser aprovadas a continuidade da CPMF e também a reeleição de Lula para um terceiro mandato consecutivo, seguindo o exemplo da Venezuela de Hugo Chavez. Mas como as duas coisas juntas são impossíveis, os estrategistas governamentais logo perceberam, e a óbvia providência foi se proclamarem contra a nova reeleição. Porque defender tal idéia significaria perder as duas causas. Se (depois de já aprovada pela Câmara) a prorrogação da CPMF é tida como certa também no Senado - porque as ditas oposições são só fogo de palha - jamais os partidos, mesmo os aliados do Governo, abririam mão de concorrer com candidatos próprios à disputa presidencial.
Difícil de acreditar mas a Câmara desarquivou o projeto propondo eleições infinitas, o que deve ter ocorrido por inspiração emanada de fonte governamental, mas imediatamente o Governo deve ter descoberto que tal absurdo, se levado adiante, comprometeria a esperada reaprovação da CPMF. Estas são coisas que acontecem na República, mas não fora de razão, porque o povo carente, que pesa no prato da balança eleitoral porque embalado pela benesse da bolsa-família, é capaz de manter no poder um governo populista como o que está instalado. Essa perspectiva contagia o governante mor, que imagina estar fazendo o melhor dos governos.
Obviamente que o presidente Lula declara não concordar com um terceiro mandato em sequência, mas sabem todos que é o que ele mais desejaria. A idéia do terceiro mandato já nasceu morta, mas não deixou de ser lançada como balão de ensaio, e, obviamente, que partiu do Palácio do Planalto. Ou de onde poderia ter sido? O expediente não vingou e a idéia foi recuar, ante a ameaça de a aprovação da CPMF azedar e colocar tudo a perder.
O Governo está obcecado pelos R$ 40 bilhões anuais que esse imposto arrecada, mas poderia tirar do lombo do povo mais essa carga e reduzir em idênticos R$ 40 bilhões os seus gastos não fundamentais. Bastaria um propósito saneador, que além de gerar economia tornaria a máquina pública mais enxuta, e com toda a certeza mais operante.
Quem fez essa declaração, a seu tempo, foi o ministro Mário Henrique Simonsen. Portanto, a voz autorizada de um homem forte do Sistema e que sabia o que estava dizendo. Mas se o presidente Lula não retirou um tostão sequer do seu montante de despesas (aí incluída a farra pública) e também não foi pressionado por ninguém nesse sentido - nem o Congresso, nem o Poder Judiciário. Então, a festa vai continuar e os bilhões da CPMF não podem ser dispensados.





