Despropositada ideia do presidente Lula
É fora de propósito a fórmula proposta pelo presidente Lula de repassar dinheiro diretamente aos pobres no lugar de baixar impostos. Porque, como afirma, a recente renúncia fiscal não beneficiou o consumidor. Isto em parte é verdade, e se temia quando o Governo baixou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre as montadoras de veículos e as empresas de eletrodomésticos. Dar dinheiro aos pobres obviamente que os beneficia, mas essa mágica tem forte conotação eleitoreira, além de desestimular o trabalho.
A baixa do IPI chegou a baratear mercadorias especialmente os automóveis mas não foram todos os comerciantes que pensaram em favorecer a freguesia, e quanto a isso o Presidente tem suas razões. Mas se a classe empresarial não correspondeu plenamente, também ela precisa aprender, e este é um processo mais demorado num país onde a especulação está muito presente e a mentalidade vigorante - em quase todos os setores - é a de levar vantagem em tudo.
O Brasil é um país onde mais se cobra impostos, por isso baixá-los é sempre boa solução. Os industriais e lojistas irão perceber mais claramente o que já sabem que vendendo mais barato (por via de menos tributos) venderão mais, e obviamente lucrarão mais. Também a Receita verá melhorada a sua cota, pela própria dinâmica dos negócios. Nem se acredita que Lula iria despejar na mão dos pobres todo o dinheiro recuperado por uma nova alta do IPI. A redução do imposto precisa ser mantida, porque chegará a hora de também o empresário conscientizar-se do que é melhor para ele e para o conjunto da economia. Será preciso que mais patriotismo floresça neste país. O aumento das vendas acontece se os preços baixarem e isto se comprovou na prática muitas vezes. Óbvio que dinheiro em poder do povo é vendaval (como diz a canção), porque faz a economia girar, provocando uma reação positiva em cadeia. Mas para atender ainda melhor a essa meta é preciso incrementar o desenvolvimento produtivo, que gera emprego e renda, ao contrário dos minguados repasses populares, bem ao estilo de governos populistas.
Empresas cometem também o pecado do mau gerenciamento, mas se são oneradas por pesados impostos, os repassam ao custo da mercadoria, aumentando preços e diminuindo as vendas. Na continuidade, também as indústrias e os fornecedores de matérias-primas perdem. Não só a redução do IPI sobre os segmentos citados, e outros mais, precisa existir, como também as empresas menores devem ser beneficiadas. Porque elas são garantidoras de milhões de empregos. Ontem leu-se que o BNDES terá um fundo de R$ 1,7 bilhão para as micros e pequenas empresas, e esta é uma boa informação.





