O professor Carlos Andrioli Bitencourt, diretor de Ciências Econômicas da Escola de Negócios da PUC-PR, ensina que a administração do orçamento familiar tem que seguir os mesmos critérios utilizados nas empresas. Já o químico Eduardo Dubinski, resume que o planejamento dos gastos é o melhor caminho para que as pessoas não se surpreendam com acúmulo de dívidas no começo do ano. E dá uma série de sugestões para que as pessoas saibam priorizar aplicação do dinheiro.

Os dois são entrevistados na reportagem de Luciano Balarotti (''Planejamento é primordial para evitar dívidas''), publicada ontem, nesta FOLHA, diante das dificuldades que a maioria das famílias enfrentam para atravessar o primeiro trimestre, em função de eventuais exageros cometidos no mês de dezembro que representa viagens, festas, presentes, troca de carro, apartamento etc. Vale a pena conhecer as orientações.

Descuidos levam a gastos que ultrapassam a capacidade de endividamento. A prudência recomenda que se racionalize as despesas.

Só que isso, às vezes, vai além do controle das nossas próprias contas. Não precisa ir longe para sua conta não fechar no final de março. Se uma pessoa projeta gastos e investimentos com base na estabilidade de moeda, pode ser induzida a erros. Juros e índices inflacionários no Brasil são totalmente incompatíveis.

As médias de preços calculadas para composição dos índices de inflação não expressam a velocidade com que os preços são remarcados, por conta da correção e recomposição ou simplesmente por causa de aumentos reais. Portanto, os índices de inflação, IPCA, e também, os índices setorizados, falseiam a realidade das despesas domésticas, porque os cálculos dos institutos de pesquisa não seguem a mesma prioridade das necessidades das pessoas.

As médias costumam diluir os preços de um determinado item que tenha explodido naquele mês. Mas se esse item é a mensalidade escolar, por exemplo, e tem um peso maior nas despesas da família, naturalmente a inflação (da família que tem filhos na escola) transparece de forma mais contundente para aquele consumidor.

Outro elemento que falseia a realidade das pessoas (a inflação de cada um) em relação aos dados oficiais, apurados pelo IBGE, é o fator indexação. No Brasil a presença forte de indexadores nos cálculos de reajustes ainda mantém preços em alta desnecessária.

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