É uma promissora demonstração de patriotismo o movimento dos empresários que ora se esboça no País visando uma maior participação da classe na política. Não necessariamente concorrendo a cargos eletivos mas exigindo dos candidatos a cargos públicos que se comprometam com a ética, a democracia e o desenvolvimento sustentado. Essa campanha chega ao Paraná e já conta com 1.200 cadastrados. O objetivo é acompanhar o desempenho dos eleitos no exercício do mandato. Em época de campanha eleitoral, essa nova mentalidade demonstra que não importa apenas votar mas sobretudo policiar os eleitos e fazer-lhes cobranças. Demorou, mas afinal uma luz se acende, e ninguém melhor que a classe empresarial para liderar esse movimento, porque é a que se arrisca a implantar e tocar negócios, recolhe impostos, gera empregos e, no dizer da linguagem popular, a que segura a barra mais pesada deste país. Mas a esse contingente de sustentação econômica precisam juntar-se outras lideranças e os cidadãos no geral, porque é dessa forma que se exerce cidadania e se pratica a democracia. Embora redundante em sua expressão, essa é a democracia participativa, porque só votar é apenas uma parte dela. Pelo poder que possuem - só faltando demonstrá-lo - os empresários podem converter-se em grande força policiadora, portanto um poder político. Este é um desafio da democracia, a de ser representativa e participante, no dizer do consultor político Augusto de Franco, que assessora a coordenação do movimento no Paraná - a denominada Rede de Participação Política do Empresariado. Um dos quesitos é exigir que os candidatos assinem um termo de compromisso pela causa de uma agenda estratégica para o Brasil. Os tópicos principais são reformas política, fiscal, administrativa, jurídica, pública e de segurança, educação e infra-estrutura. Essa rede tem, no Paraná, o apoio da Federação das Indústrias do Estado e da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná. Tem-se escrito que os políticos temem as manifestações populares e só se acomodam porque não são cobrados. Se temor ainda não significa conscientização, este é um grande passo para manter sob vigilância os eleitos, de forma a que eles se sintam permanentemente vigiados. Vários políticos já assinaram esse compromisso, com certeza contra a vontade, porém a verdade é que o estão fazendo, e isto já significa que começam a curvar-se ante um poder que floresce. Só pelo despertamento e pela ação das classes com poder de decisão e as massas no geral será possível colocar a prumo os maus políticos brasileiros, que - lamentável dizer - hoje constituem uma comunidade pouco respeitável no conceito do povo.

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