As conclusões da comissão especial que identificou 2.114 obras inacabadas em todo o país foram esquecidas numa gaveta do Senado, mas serão retomadas. Então, será possível desta vez quebrar a tradição política brasileira da obra inacabada? Senadores e deputados declaram, oficialmente, que a criação das comissões de inquérito ou especiais de reforma do Poder Judiciário - instalada terça-feira - e da política tributária tem intenção de modernizar o país.
Os contribuintes acreditam, mas questionam: as investigações irão até o fim? Alguém pagará pelos crimes descobertos? Até hoje, só José Carlos Alves dos Santos passou alguns anos na cadeia. Mesmo assim, ele foi preso por ter sido acusado de mandar matar a mulher e não pelo desvio de dinheiro público.
O ex-deputado João Alves está livre para fazer sua fezinha no jogo e Fernando Collor, cassado por corrupção, gozou o exílio numa mansão em Miami, cujo aluguel custava US$ 10 mil à família. São obras inacabadas, investigações que ficaram pelo meio, foram arquivadas ou esquecidas.
Exatamente o que aconteceu com a comissão que levantou obras inacabadas em todo o País. Sob a presidência do tucano Carlos Wilson, sete senadores trabalharam por nove meses, produziram farto relatório, mas a Comissão de Fiscalização e Controle do Senado não deu continuidade ao processo.
Por isso, Carlos Wilson voltou ao assunto. Acertou com o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, a retomada da comissão. ‘‘Devemos dar retorno à sociedade. Se os administradores terminaram algumas obras, certamente começaram outras. Tem que haver punição para os irresponsáveis’’, diz o senador pernambucano.
A irresponsabilidade custou muito ao País. Foram aplicados bilhões de reais e para concluir o que estava paralisado - centenas de escolas e hospitais - seriam gastos mais R$ 3,3 bilhões. Pela demanda social do país, deve valer a pena.
Rock no pé
O ministro Zequinha Sarney suou a camisa na noite do último sábado, no ginásio Nilson Nelson, em Brasília. Instalou-se na arquibancada, atrás das cadeiras numeradas, e dançou até cansar ao som de Rita Lee, Pato Fu e Titãs. Apaixonado, o ministro trocou longos beijos com a namorada, mas teve tempo para atender alguns adolescentes que o reconheceram e, apesar do momento impróprio, quiseram trocar idéias sobre meio ambiente.
Indignidade
O governador Almir Gabriel pediu urgência ao ministro Raul Jungman na desapropriação da Fazenda Maciel II, para fins de reforma agrária. A fazenda fica em São Félix do Xingu, no sul do Pará. Semana passada, ação conjunta entre a Polícia Federal e o Grupo Móvel do Ministério do Trabalho libertou 150 sem-terra submetidos a trabalho escravo, mostrando a face mais feia do atraso brasileiro.
Pé na cozinha
O presidente Fernando Henrique causou excelente impressão em recente jantar, em Brasília. Surpreendeu os empregados ao entrar na cozinha para buscar um copo d’água. A carioca Maria Helena Clark, responsável pelas iguarias - buffet do Rio com temperos comprados na feira do Guará - ficou encantada.
Zebu, Itamar e o presidente
Faz parte da tradição a presença do presidente da República e do governador de Minas Gerais na festa de abertura da Expozebu, que acontece em Uberaba há mais de 60 anos. Os convites deste ano já seguiram para Fernando Henrique e Itamar Franco. A feira, que dura uma semana, será inaugurada no dia 5 de maio. É esperar para ver quem vai faltar.
Holofotes
Época de muita notícia, os políticos brigam pelos flashes dos fotógrafos e microfones das emissoras de televisão. Um dos que mais aparecem é Aluízio Mercadante, do PT paulista.
- MIRIAN GUARACIABA é jornalista em Brasília

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