A imagem estampada na capa de hoje desta FOLHA é o retrato do descaso, literalmente. Mais uma obra, desta vez um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), que deveria estar funcionando há dois anos na Zona Norte de Londrina está abandonado. Parte do investimento – de mais de R$ 1,5 milhão – já se perdeu devido a danos na própria estrutura, além do furto de peças instaladas, como cubas, vasos sanitários, telhas, fiação elétrica, entre outros.
Juntamente com esse CMEI, há vários outros exemplos não só em Londrina, mas em praticamente todo o País. Dinheiro público se deteriorando, sendo jogado fora. Recente relatório divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado aponta 184 obras paradas espalhadas pelo Paraná com custo estimado em mais de R$ 62 milhões. O principal problema apontado é "falha no planejamento do projeto", como alterações necessárias à conclusão da obra, orçamento inferior ao necessário, não atendimento às exigências legais, entre outros.
Além disso, a maioria das paralisações são projetos de urbanismo, transporte e saúde. São obras relacionadas a alguns dos principais problemas enfrentados pelos cidadãos, que poderiam contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Além de descaso dos gestores e funcionários públicos, pode-se dizer que há incapacidade técnica para avaliar os projetos apresentados pelas empresas participantes das licitações ou má-fé. Esqueletos de concreto poluem a paisagem urbana, causam insegurança entre os moradores, além dos enormes prejuízos financeiros.
Por isso, é preciso que órgãos de fiscalização fiquem vigilantes quanto à aplicação do dinheiro público. É importante garantir a sua correta aplicação para que desperdícios como esses acabem. A sociedade também deve ficar vigilante, uma vez que os recursos utilizados são oriundos dos impostos pagos por todos. É fundamental que os cidadãos passem a cobrar mais os gestores públicos.

mockup