Desordem eleitoral
Maria Lúcia Victor Barbosa
Começa a esquentar a campanha para a presidência da República, e certos aspectos são exacerbados pelas forças contrárias ao presidente Fernando Henrique. Um desses aspectos é a violência exercida pelo MST e pela CUT, e organizada pelo PT, pelos demais minipartidos que se autoproclamam de esquerda, por parte da Igreja Católica através de bispos da CNBB, e de figuras como as do ministro Sepúlveda Pertence do STF, o qual estranhamente renega a lei em nome de sua ideologia, em vez de aplicar a lei como era do seu dever para com o país.
Essas pessoas nunca resolveram nada, como agora não querem resolver. Sua intenção é a de conturbar o cenário nacional e, assim, ganhar na marra uma eleição que seu candidato Lula não conseguirá pelo voto. Afinal, as ditas esquerdas não possuem programas que possam de fato beneficiar o povo. Mesmo porque, os adeptos de um confuso socialismo vivem presos ao passado em vez de se voltarem para o futuro, e assim não conseguem evoluir.
Na verdade, essa frente ‘‘medieval’’ de esquerda tem apenas uma imensa sede de poder. Um poder que se viesse a se efetivar conduziria o país de uma vez por todas aos mais profundos abismos do subdesenvolvimento, porquanto essas facções representam a mentalidade do atraso que ainda vigora no país. Fazem parte do enorme contingente dos ‘‘perfeitos idiotas latino americanos’’ descritos por Carlos Alberto Montaner, Alvaro Vargas Llosa e Plínio Apuleyo Mendoza no seu ‘‘Manual’’, pois como explicam os autores, tais espécimes ‘‘consideram como reacionárias, neoliberais e contrárias aos interesses populares, as políticas tendentes a assegurar uma moeda saudável’’. E foi isto que o presidente Fernando Henrique assegurou através do Plano Real, gerador da estabilidade econômica e, por isto, propiciador de melhor nível de vida para todos os brasileiros agora livres da inflação.
Mas o Plano Real subtraiu aos cultores do ‘‘quanto pior melhor’’, um eleitorado potencial em busca de salvadores da pátria, que como Zorros subdesenvolvidos haveriam de trazer magicamente a igualdade de classes no paraíso profetizado por Marx. Uma ideologia, diga-se de passagem, que falhou espetacularmente aonde foi implantada, deixando o rastro do terror do seu inerente totalitarismo, e um atraso avassalador que em nome da igualdade nivelou por baixo.
Agora, o que se vê, é a gloriosa esquerda brasileira indo à sua ‘‘revolução’’ de araque. Uma das táticas é brandir armas contra o neoliberalismo, que nem sabem o que significa, e lançar brados indignados contra o inevitável processo da globalização. A outra, é tentar a desordem, o que já vinha sendo feito pelo Movimento dos Sem Terra, braço armado do PT no campo, já que a CUT, braço sindical do PT na cidade, perdeu sua força na economia estabilizada onde a moeda forte fez valer os salários, e não motiva mais o trabalhador às greves contínuas que a Central Única vivia fazendo com propósitos mais políticos do que em favor dos sindicalizados.
Mas, como se não bastassem as invasões do MST, cujo propósito passa longe da reforma agrária, agora a última moda da esquerda consiste em saquear caminhões, depósitos e supermercados, com o propósito aparentemente angelical de matar a fome dos nordestinos assolados pela seca.
Pura enganação. Se estes ‘‘solidários’’ quisessem mesmo ajudar aqueles que, aliás, todos os anos sofrem as mesmas consequências do tempo (em que pesem as substanciais ajudas dadas por este e por outros governos federais, mas que vão parar não se sabe aonde), fariam como muitos brasileiros espontaneamente estão fazendo: arregaçariam as mangas e iriam à luta, não para promover a baderna, mas para arrecadar alimentos e os distribuir aos necessitados. A própria Igreja, com a influência que ainda tem sobre seus fiéis, em muito poderia contribuir se arrecadasse um dízimo especial para os flagelados.
Mas é muito mais fácil destruir do que construir. Além disso, impressiona e faz mais efeito, principalmente num ano eleitoral. E deste modo, os saques estão aumentando. Não são feitos pelos famintos do Nordeste, mas pelos cabos-eleitorais do MST, que ao invés de cultivar as terras que invadiram, preferem viver em alegres passeatas, manifestações e, agora, em divertidos saques. É o carnaval da reforma agrária atrás do trio elétrico do PT. E mesmo que chovesse canivete nas terras esturricadas, acabando com a seca, com certeza os saques continuariam, porque é preciso fazer a campanha do Lula contra Fernando Henrique que, entre outros pecados, deve ser culpado pelo fenômeno climático do EL Ni¤o.
Enquanto isso, a CUT, frustrada nos seus propósitos grevistas, organiza acampamentos-surpresa de desempregados em pátios de supermercado de São Paulo. São portanto duas frentes de campanha: os sem-terra e os com-fome. Nessa tática eleitoreira, a palavra de ordem é a baderna, e a ideologia, uma mistura bizarra de vulgata marxista com saudosismo revolucionário, pincelada com tintas terceiromundista.
Só falta agora o povo ir às ruas para pedir ordem, como em 64. Não se queixem depois, os provocadores.
MARIA LÚCIA VICTOR BARBOSA é socióloga.

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