Eu nunca fui um patriota convicto. Cantar o Hino do Brasil afinado não era comigo, mas sempre virava à bandeira com respeito por ter uma harmonia tocante e uma melodia gloriosa, mérito de Francisco Manuel da Silva, grande brasileiro.
Hoje não tenho certeza se tenho orgulho em ser brasileiro. O hábito de ler jornal tem sido substituído gradativamente pelo acesso a portais de notícia que parecem mais tweets do que matérias, tudo com um quê de "imparcialidade", claro (válido aqui citar quem lê quatro linhas e já vai opinar sobre política). Eu leio jornal todos os dias, e confesso que estou quase parando, pelo desgosto que eu tenho ao abrir qualquer caderno e me deparar com algum tipo de retrocesso social. Nada de positivo. Não só na instância federal, mas estadual, obviamente.
Conseguiram tirar debaixo dos panos a ponta do iceberg de um dos maiores (se não for o maior) esquemas de corrupção do mundo. E há muito a se descobrir ainda. E nós? Nós somos brasileiros, né.
Cargos ridiculamente comissionados, troca de poderes, lideranças reprováveis, Calheiros reeleito, pacotaço do governador Beto Richa, educação pedindo socorro, falta de água, escândalo mundial de corrupção, gasolina a R$ 3,46, demissões em massa, a cultura se afundando, improbidade administrativa, alta nos homicídios. Pelo menos o tomate não aumentou. Aumentaria se todos comprassem para jogar na cara de cada responsável por algum tipo de roubo nesse país. Enquanto isso, presídios sendo fechados na Suíça por falta de presos.
Daí, meu amigo, nem a alegria do brasileiro aguenta. Enquanto um está roubando, outro está morrendo na fila do hospital, outra família passa fome, outra chance de ascensão social é vetada. Mas calma, vale a divulgação dos programas assistencialistas nessa hora! Terrivelmente mal administrados, por sinal.
E assim caminhamos, sem o básico da educação básica, pessoas ingressando nas faculdades sem saber nem escrever, o mercado de trabalho cada vez mais esperando a sexta-feira para poder extravasar o que dele é extorquido em quatro meses.
O verde das matas já está praticamente desmatado, o amarelo do ouro já está recorrendo ao Fundo Monetário Internacional, o azul das águas São Paulo já tirou da bandeira, não tem ordem e não tem progresso. A bandeira já não nos representa mais.
Enfim, o impeachment não vai resolver nada. É válido pela atitude de revolução e conscientização do povo, toda mudança é necessária. Mas a principal mudança começa no brasileiro. E se você não quer ter essa vergonha que agora eu tenho de ser brasileiro, pesquise, leia, contrabalanceie opiniões distintas, vá atrás de saber quem você coloca para representar um povo. Vá atrás de saber se é brasileiro ou se é apenas mais um cargo do Brasil, comissionado pelo povo.

EDUARDO ASSAD SAHÃO é jornalista e professor de música em Londrina



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