O Brasil importa mão de obra dos outros países e exporta impostos. A frase foi pronunciada várias vezes por empresários de produtos manufaturados ou semi. Já reclamaram dos impostos os setores calçadista e o agronegócio. O custo aqui dentro destrói a competitividade lá fora.
Mas não se consegue romper a resistência em desonerar o setor. Não pelos acordos tarifários, pelos GATs da vida, ou porque alguém obedece regras no Mercosul, por exemplo. Os técnicos acham que a desoneração beneficia grandes grupos. Como se exportadores não fossem geradores de empregos e outros benefícios. Não há razão técnica plausível para não desonerar. Puro preconceito ideológico e atrasado.
Não dão o benefício da desoneração, no entanto, temem que a paridade cambial atrapalhe as exportações. Imposto não atrapalha. Câmbio atrapalha. Preferem, em contrapartida, mexer no câmbio.
E aí ignoram os benefícios do dólar baixo, que ajuda a importação de insumos e equipamentos imprescindíveis - às vezes sem similar nacional - para manter aquecida a indústria nacional - geradora de empregos. A contradição é flagrante. Talvez também aqui prevaleça a burrice ideológica.
Mas há um sinal de mudança. Ontem, o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria e Comércio (MDIC), Welber Barral, criticou o peso dos tributos nas exportações brasileiras. Segundo ele, o governo não pode penalizar tanto as exportações com impostos. ''O Brasil não pode continuar exportando tributação'', disse.
A frase sobre exportação de impostos desta vez foi pronunciada por alguém do governo. Positivo.
Uma das medidas já está definida: o governo vai ampliar o regime de drawback e os regimes de isenção para alguns exportadores. E, com isso, afasta qualquer mudança no câmbio. Drawback significa que o governo vai ressarcir os impostos alfandegários pagos por mercadorias importadas e que são reexportadas para um terceiro país. O Brasil já adotou o drawback (verde-amarelo) no início dos anos 80.

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