Há um descompasso entre o que deseja o chefe do Governo, e de outro lado a sanha arrecadadora da Receita Federal e a política tributarista e monetarista do ministro da Fazenda. Porque estes são, por ofício, coletadores e guardiões do dinheiro. Não figura, em suas preocupações, a política de conter excesso de gastos governamentais, porque esta deve ser atribuição do presidente da República. Por isso, se agora o ministro e a Receita acenam com cortes na tributação para beneficiar setores produtivos, agem acertadamente, mas se o Governo não diminuir a gastança desenfreada e a má aplicação do dinheiro, aqueles seus agentes acabarão compensando essa denominada renúncia fiscal - de 10 a 12 bilhões de reais/ano - em outros setores. Sem atentar que desenvolvimento dos negócios resulta em aumento da arrecadação tributária, portanto a compensação já resultará disso. Sorrateiramente ou de forma velada, surgirão artifícios - geralmente o aumento de tarifas - para cobrir aquele investimento. Que se é um investimento dará sua resposta positiva em forma de impostos. A fórmula ideal é o Governo começar a economizar o correspondente àqueles bilhões, reduzindo gastos dispensáveis. O presidente Lula - que sempre disse que nada sabia acerca das barbaridades que ocorreram em seu governo e que, portanto, parece pouco saber sobre tantas coisas mais - declara que ''não há onde cortar gastos''. Ocorre que são muitos os pontos de gordura exposta que podem passar por uma ''lipoaspiração'', e o presidente não corta porque não quer ou porque não percebe onde. Quem muito gasta e deixa gastar - uma prática que não exige formação acadêmica - geralmente não sabe economizar e extirpar excessos. Reduzir impostos gera mais desenvolvimento sem dúvida - e este é o caminho - mas isto seguido de uma diminuição da farra pública com o dinheiro suado do povo resultará em sobras para o investimento nas obras e serviços. Desonerar de certos impostos o setor produtivo fomentará essas fontes de produção - gerando empregos, giro de dinheiro e um natural aumento do volume da receita tributária - mas se os cidadãos forem tangidos com elevação das tarifas que já pagam, pouco mudará para melhor. O presidente Lula aprecia apresentar seus pacotes de bondades - alguns de pouco conteúdo - por isso os encomenda de seus homens, mas certamente não policia o que eles fazem na contrapartida. O ministro Guido Mantega e a Receita não irão deixar barata essa ''renúncia'' fiscal. Se a nação precisa arcar com novos sacrifícios pela causa do crescimento econômico-social, o Governo precisa começar com sua cota-parte, fazendo uma devassa em seu próprio organismo gastador e desperdiçador. Ou repetirá mais quatro anos de estagnação.

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