Na semana passada o governo federal anunciou a inclusão de mais 14 setores industriais que terão direito à desoneração da folha de pagamento. A notícia veio por meio da Medida Provisória 612 e ampliou para 42 o número de segmentos atendidos o que, no total, vai gerar uma renúncia de R$ 24,7 bilhões na arrecadação. O "alívio" nas contas das empresas passa a vigorar apenas em janeiro de 2014, uma vez que o governo argumenta não ter recursos para atender a esse grupo já neste ano.
A justificativa para o pacote ainda está na crise econômica internacional e no aumento da competitividade da indústria nacional. Apesar das sucessivas quedas da taxa Selic, o Brasil ainda tem uma das maiores cargas tributárias do mundo, aliada à péssima infraestrutura logística, o que encarece – e muito – o custo de produção das empresas. Além disso, na sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou o balanço da produção industrial. Em fevereiro (último mês medido) houve queda de 2,5% na atividade fabril. No total, houve recuo em 11 dos 14 locais pesquisados. O Paraná registrou a quinta maior queda, com resultado negativo de 5,5%.
Os números indicam que ações são necessárias. Desde o início da crise internacional, durante o governo Lula, medidas pontuais têm sido adotadas. Os dois maiores segmentos da economia – indústria automotiva e construção civil – têm recebido muitos incentivos, seja em desoneração tributária ou por meio de programas governamentais. No entanto, também é consenso que medidas pontuais não agem no "cerne" da questão. A expectativa do empresariado recai sobre a reforma tributária, que continua esquecida. Já passou da época de uma discussão séria a respeito do assunto. No entanto, mexer na tributação traria uma arrecadação menor, o que não é de interesse do governo.

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