A decisão do governo federal de modificar o regime de desoneração da folha de pagamento de empresas de alguns segmentos, contempladas com o benefício desde 2011, deve provocar um verdadeiro desastre na economia. Desemprego, aumento de alíquotas de outros impostos e contribuições, alta de tarifas como a de energia elétrica e do transporte coletivo, baixa dos investimentos das indústrias, aumento dos preços e a consequente queda do consumo podem agravar ainda mais o quadro de crise pela qual passa o País. Será que é o remédio ideal para o momento?
Medidas de austeridade em um período de crise são bem-vindas e devem sim ser adotadas. No entanto, é importante que o governo faça a sua parte. O corte de gastos públicos é a principal medida a ser adotada. Ainda que a equipe econômica tenha anunciado medidas de contenção, não há detalhamento. Não há informação suficiente acerca dos ajustes para que seja estabelecido um debate com a sociedade. Fatores como esses contribuem para uma desconfiança ainda maior da opinião pública.
É preciso promover ajustes para equilibrar os últimos quatro anos de má gestão. As contas públicas pioraram muito nos últimos anos, principalmente em 2014, quando o superavit primário se transformou em deficit. O rombo nas contas públicas, revelado pelo Banco Central, é de R$ 344 bilhões – equivalente a 6,7% do Produto Interno Bruto. O resultado ocorre devido ao aumento dos gastos, que subiram de R$ 864 bilhões em 2011 para R$ 1,068 trilhão ano passado.
O governo agiu de forma irresponsável e, mais uma vez, o remédio amargo ficará para a população e a cadeia produtiva. É importante que se calcule os efeitos desse projeto de lei que irá reduzir as desonerações da folha de pagamento, uma vez que em alguns casos o aumento chega a 150% - um índice estratosférico e impensável para os dias atuais. Como os salários subiram além da inflação e do aumento da produtividade do trabalhador, agora o custo é ainda maior. Aumentar a arrecadação é importante, mas é preciso ter responsabilidade e promover os ajustes necessários. Sobrecarregar a cadeia produtiva não irá minimizar os efeitos da crise econômica.

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