As medidas de desoneração de impostos sobre a produção e sobre a folha de pagamento para alguns setores da indústria e de serviços que o governo federal têm promovido são bastante positivas. No entanto, a mesma iniciativa deveria ter sido adotada para os alimentos. Não promover a desoneração para os itens que compõem a cesta básica é continuar penalizando a maioria dos brasileiros, principalmente os de menor renda.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 72% das famílias têm rendimento mensal inferior a dois salários mínimos. Essa parcela da população gasta, em média, 30% do que ganha com comida. Já em casas onde a renda mensal supera 25 salários mínimos, o gasto é de 13% da renda. Portanto, os índices demonstram que proporcionalmente os mais pobres pagam muito mais imposto sobre a comida do que os mais ricos. Além disso, o Brasil é um dos países que mais tributa os alimentos. No preço final dos produtos, o peso médio dos tributos chega a 16,9%. Nos países europeus, a média é de 5,1%, enquanto nos Estados Unidos a alíquota é de apenas 0,7%. Por que não seguir a lógica internacional e promover a mesma desoneração por aqui?
É importante também ressaltar que os Estados deveriam seguir o governo federal e isentar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os itens da cesta básica. Ainda que ocorram ganhos indiretos, como no caso da tarifa de energia elétrica por exemplo, para os consumidores é importante que a desoneração seja total. É preciso haver comprometimento também dos Estados com a redução de impostos. Também seria importante haver um compromisso do setor varejista para que os consumidores sintam no bolso os efeitos da desoneração.
As medidas de desoneração têm sido um importante instrumento utilizado pelo governo para incentivar a economia e ''blindar'' o País contra a crise econômica internacional. São medidas que dão resultados positivos. E o mesmo ocorreria com os alimentos. Estudos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo indicam que a eliminação dos tributos federais sobre a cesta básica provocaria perda de R$ 5,1 bilhões ao caixa da União, mas que o retorno viria em três anos devido aos benefícios que a desoneração geraria sobre a economia. Portanto, a única conclusão a que se chega é que o governo perdeu uma boa chance de beneficiar a população.

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