Desnecessidade e gasto abusivo da TV Assembléia
A televisão da Assembléia Legislativa do Paraná, que acaba de entrar no ar, vai consumir R$ 460 mil mensais. Uma soma fabulosa que traria grande benefício a causas sociais mais urgentes do que transmitir discursos parlamentares. As justificativas dos defensores da tevê chegam a ser hilariantes. Jocelito Canto, do PTB, declara ufano que ''nossa tevê vai ser melhor que a de Requião'', referindo-se à TV Educativa. E Nelson Justus, presidente da Assembléia, afirma que a televisão ora inaugurada tem ''o mais baixo custo do País e é de melhor qualidade''.
O que deve ser levado em conta não é ''baixo custo'' e sim a necessidade de um tal aparato, que será de diminuta utilidade pública. Porque o povo não gasta tempo sintonizando televisões estatais. Salvam-se, nessas emissoras, alguns bons programas, fora da atividade parlamentar. Justus argumenta que só Sergipe e o Paraná não tinham TVs em suas Assembléias. Desde o segundo semestre do ano passado a Casa vinha pagando R$ 328 mil mensais à empresa GW, pela produção do conteúdo da TV. Já ontem, conforme o jornalista Luiz Geraldo Mazza, os deputados passaram a produzir-se melhor, para aparecer bem no vídeo. Mais isto não lhes melhora a performance. ''Forma ótima, conteúdo nem tanto'', afirma o veterano jornalista.
Em conteúdo, não se pode mesmo esperar grande coisa, embora a defesa de que a televisão (denominada TV Sinal, sigla de Som, Imagem e Notícias da Assembléia Legislativa) é ''um instrumento importante para os eleitores acompanharem o trabalho dos deputados: como votam, quem falta, quem participa, como são os discursos''. A sensatez - que escasseia no círculo governamental gastador e insensível às prioridades sociais - não faz coro com esse festival, que vai gastar aquele enorme volume de dinheiro (mais de R$ 15 mil/dia), que tão bem faria a setores carentes do Estado. Não demora as Câmaras Municipais também quererão as suas TVs. Londrina já chegou a esboçar essa intenção.
Para os deputados estaduais, a TV própria ''é um avanço''. É por esses parâmetros que eles fazem avaliações acerca do útil e do inútil, enquanto, se for feita uma pesquisa, se constatará com toda a certeza que a opinião pública achará um retrocesso. Todas as Assembléias Legislativas têm televisão própria, então isto permite aos parlamentares paranaenses defenderem o investimento na TV e o seu exorbitante gasto mensal para mantê-la. Certo é que a TV Sinal e todas as congêneres são luxo e desnecessidade, é por esta e por outras é que o sistema governamental, em todos os escalões, precisa arrecadar tanto imposto. Não há como justificar que tão faustoso gasto seja um avanço. É isto sim, mais uma afronta à população.





