Toda a parafernália que se instala nos parlamentos, marcadamente a transmissão das sessões por dispendioso sistema de televisão, nada mais é que um disfarçado aparato para a projeção da imagem dos parlamentares. Já basta a internet e o noticiário normal dos veículos de comunicação para que o público tome conhecimento do que ocorre no palco na vida parlamentar, mas isto parece não bastar, porque os políticos descobriram que a TV própria embora de baixa audiência é um instrumento de sustentação de campanha, sempre com vistas à reeleição ou à ocupação de outros cargos. Qualquer cidadão de mediana formação política sabe que não é sincera a afirmação de que a transmissão das sessões parlamentares pela tevê seja para mostrar transparência, porque as sessões ''subterrâneas'', nas quais se fazem os conchavos, não têm à frente holofotes, câmaras e microfones. É um sofisma o falso com aparência de verdadeiro afirmar-se que a amostragem pública de discursos é garantia de claridade. Na verdade isto é um volumoso gasto desnecessário, porque o parlamentar deve concentrar-se em operar a serviço das causas de interesse público, sem preocupar-se com projeções da imagem individual. O verdadeiro espírito público dispensa exibicionismo. Depois que o Congresso Nacional instalou o serviço próprio de televisão, os deputados estaduais também se empolgaram e querem aparecer no vídeo. Afinal, uma continuidade dos programas gratuitos do período de campanha que na verdade só são gratuitos para os políticos, porque há verba pública para esse fim e é o povo que paga. Na sequência da empolgação, câmaras municipais também se alvoroçam e querem seus brinquedos eletrônicos, como as suas tevês e os painéis luminosos de votação. Porque é preciso continuar a farra pública com o dinheiro dos cidadãos e garantir a sustentação da imagem para o pleito seguinte. Esses sistemas não são sinais de modernidade e nem farão melhores os parlamentos. São apenas fantasias, de quem não tem idéias de projetos e nem preparo para ser político. O que fará bom o sistema parlamentar será o produtivo e honesto desempenho da função outorgada pelo povo. Tudo isso não faria mal se o Brasil fosse uma nação rica, e assim poderia dar-se o luxo de gasto supérfluo, quando falta dinheiro para obras de infra-estrutura e para os atendimentos sociais. O que se consome para manutenção do sistema governamental, oneroso, desperdiçador, no geral pouco operante, marcado por histórias de corrução e mais uma pedra de tropeço que uma trilha aberta que conduza a soluções é maior em volume financeiro que o que se aplica na implantação, manutenção e readequação estrutural, como estradas, demais sistemas de escoamento da produção, ensino, saúde, segurança, políticas de geração de empregos etc. Quanto mais o poder público gasta com inutilidades, mais subirão os impostos, porque alguém tem de pagar a conta. Os governos poderiam ser instituições baratas, e assim o fardo tributário seria menor para a cadeia produtiva e para os cidadãos, e haveria mais dinheiro girando Brasil adentro promovendo o desenvolvimento.

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