Dizer que o Paraná é um Estado essencialmente agrícola parece desnecessário, de tanto que se repete, mas os governantes parecem não ter muita consciência disto. Se, pela capacitação do produtor, as safras aumentam de volume a cada ano, esbarram em problemas como as estradas de terra e – muito pior – mal conservadas. Caso de Londrina, como a FOLHA RURAL de ontem mostrou, e também de Maringá e Cascavel. Segundo cálculos de agricultores prejudicados, essa deficiência do transporte das colheitas vai gerar prejuízo de mais de 30%.
  Quem paga essa conta é o sofrido produtor, depois de cumprir com sua obrigação, que é rígida e implacável, de pagar o Imposto Territorial Rural, destinado justamente a dar-lhe garantias como a de boas estradas. Ele cumpre a parte que lhe cabe mas o poder público negligencia. No caso de Londrina, a Secretaria Municipal de Agricultura argumenta que choveu demais e houve a greve dos servidores. Se não fossem esses fatores, seriam inventados outros. Só uma razão é válida para isso acontecer: falta de planejamento. Houve tempos em que a Prefeitura de Londrina tinha uma operosa patrulha mecanizada rural, que dava conta do recado mesmo com chuvas e trovoadas. Porque havia uma constante vigilância e mais respeito ao produtor do campo.
  Não há agora desculpa que se justifique e sim negligência, porque essa Secretaria sabe das épocas de colheita e dispõe de tempo para um programa contínuo de reparos. Mesmo com chuva, a maquinaria pesada dá conta do serviço. Ademais, pergunta-se por que muitas dessas vias de escoamento não são encascalhadas. ‘‘Em mais de 60 anos nunca vi uma situação dessas’’ – declara o agricultor Natalino Alberti. Como o poder público não dá a atenção devida, quem tem que se virar é o próprio colono, que, munido de enxadões vai fazendo o que pode para o caminhão de carga passar.
  Uma contradição que ocorre – mostrando de um lado a avançada tecnologia e de outro o atraso – é que dois caminhões não podem cruzar-se no caminho, porque não passam nos trechos estreitos, então o recurso é valer-se do telefone celular para comunicação entre os pontos de entrada. O prejuízo é para o agricultor e sua colheita, para o produtor de leite, que perde quando não há transporte, para o ônibus e as vans escolares e para os caminhões transportadores de lixo (às vezes com duas semanas de acúmulo).
  Problema idêntico ocorre em Maringá e Cascavel, embora com situação menos grave. ‘‘As prefeituras sabem que o Estado é agrícola e deveriam se organizar e dar prioridade para esta área, principalmente nesta época do ano’’ – desabafa o agricultor Antonio de Sousa Gomes, de Maringá. Opinião idêntica é do presidente do Sindicato Rural de Cascavel, Nelson Menegatti. Vê-se que se o Estado é agrícola, o estado é de calamidade nessas vias rurais. De novo o dedo em riste aponta para o descaso dos governantes para as coisas da agricultura.

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