A redução do número de eleitores filiados a um partido político, como mostrou a FOLHA ontem, é consequência de uma série de fatores. A primeira aponta para a própria responsabilidade dos partidos, que não cumprem integralmente a Lei 9.096/95 – conhecida como Lei dos Partidos – que, em seu artigo 44 determina a "destinação de pelo menos 20% dos valores do Fundo Partidário para fundações ou institutos com o propósito de promover ‘doutrinação e educação política’". Já o outro ponto recai para a falta de interesse dos eleitores com a política.
Os dados apresentados pelo Tribunal Superior Eleitoral indicam uma redução do número de filiados. Em um ano, cerca de 330 mil pessoas deixaram de integrar as legendas no País, o que aponta para uma queda de 2,2% do total. No Paraná, a diminuição foi proporcionalmente maior (-5,5%), com encolhimento de 50,5 mil eleitores. Isso significa que, além de não conseguir atrair novos filiados, as siglas perderam parte de seu contingente. Entre os partidos que mais perderam, estão dois dos maiores do País: PT e PMDB.
Análises superficiais podem apontar para a falta de interesse dos partidos em buscar novos participantes para a vida política. A grosso modo, parece perceptível o maior interesse dos partidos em arregimentar "nomes de peso", que possam garantir bom volume de votos às legendas nas eleições, em detrimento de formar uma base de apoio e novas lideranças.
Além disso, é impossível não relacionar a queda do número de filiados aos sucessivos escândalos de corrupção que envolvem a classe política. Com tantas notícias negativas, é natural que a população em geral e, principalmente, os jovens se afastem. No entanto, é importante frisar que sem participação as cobranças ficam mais difíceis. Se boa parte dos eleitores sequer se lembra em quem votou na última eleição, como pedir explicações e exigir uma conduta correta dos eleitos, detentores de mandatos? A despeito desse cenário nada positivo, é preciso o engajamento maior da sociedade.

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