Os quatro principais candidatos à Presidência da República demonstram conhecer pouco a agricultura, parecendo que, no que respeita a esse setor, só começam a aprender agora, por força da própria campanha eleitoral. As perguntas que lhes são dirigidas, quando em contato com gente vinculada à lavoura e à pecuária, força-os a ir se inteirando de que a atividade do campo é importante e que tem características e reivindicações específicas. Acostumados a vivenciar apenas problemas urbanos, pelo fato de haverem habitado quase toda a vida em cidades grandes, sem deslocar-se para o interior, eles se embaraçam ante certos questionamentos e divagam nas respostas. Uma tônica forte do discurso dos candidatos é a reforma agrária, enfocada tão somente no sentido social de assentar sem-terras e não de uma ampla reformulação da política agrícola, de forma a contemplar também os com-terra, que são os agricultores tradicionais. Grandes e pequenos produtores também têm pedidos a fazer ao governo, e os que exploram pequenas propriedades perfilam igualmente entre os excluídos.
A avaliação que a Confederação Nacional da Agricultura fez desses quatro presidenciáveis, depois do debate de que participaram na sede da entidade, em São Paulo, é de que eles ''continuam na periferia'', ou seja, pouco sabem sobre um dos mais importantes segmentos da economia brasileira, que é o agronegócio. O presidente da entidade chegou a fazer o gracejo, embora falando sério, de que depois dessa reunião os candidatos ''passaram a entender 50% do assunto''. Em Londrinaa, agricultores que assistiram ao debate pelo Canal Rural declararam que o conhecimentos dos candidatos sobre agricultura ''é apenas superficial''.
Os candidatos desconhecem números, assim como demonstram pouco saber sobre as tecnologias do campo, da tributação incidente sobre o agronegócio, da comercialização das safras, dos preços mínimos e outros itens. Seguindo esse diapasão, eles certamente desconhecem a situação de penúria em que vivem os pequenos agricultores e as suas famílias. Qualquer dos candidatos que se eleger terá de galgar o Brasil rural e conhecê-lo de perto e em profundidade, ou fará um governo apenas pela metade.

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