Desinformação do Governo sobre pedágio
O que se imaginava acaba de comprovar-se: o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná não tem controle sobre o pedágio e não sabe quantos veículos trafegam por dia pelos guichês de cobrança e quanto as concessionárias arrecadam. Se o DER não sabe, a Secretaria dos Transportes deve saber igual, o governador e os deputados idem, e o usuário só sabe que precisa pagar. As beneficiárias do sistema, obviamente, não revelam a receita, que pela estimativa é gigantesca, a tomar por base as elevadíssimas tarifas, a quantidade de praças e o enorme fluxo de veículos. Imagine-se 8 anos de arrecadação, dia e noite, nas madrugadas, nos domingos, dias santos e feriados. Uma máquina incessante de coleta. Tudo isso com baixo retorno aos motoristas pagantes, porque a manutenção tem trechos bons e outros apenas razoáveis, a sinalização é insuficiente, não há sistemas de comunicação para casos de emergência a não ser os telefones celulares dos viajantes, sujeitos a estarem fora de alcance, e os dos postos de combustíveis e restaurantes das margens das estradas. O serviço de socorro é de baixa garantia em caso de acidente com feridos graves, porque a remoção não é rápida. Há extensões sem acostamentos seguros. Nada a ver com coisas de primeiro mundo onde o sistema de privatização foi implantado. Os brasileiros, que pouco conhecem a respeito, imaginam que é o máximo um guincho de socorro, um trecho de asfalto recapeado, uma nova mão de pintura da faixa amarela, dividindo duas pistas de um estreito caminho, quando o que deveria ter sido estabelecido como coisa prioritária era a construção imediata de novas pistas. Mas as concessionárias entraram sem dinheiro e o governo consentiu obtendo-o pelo 'financiamento' junto ao usuário e outros empréstimos, com os juros indiretamente lançados na conta do guichê. Socializando o capital e privatizando o lucro. Os contratos dos pedágios deveriam prever a construção de estradas novas pelas empresas conveniadas, e com seus próprios recursos, só depois cobrando pedágio. E mais: cobrar unicamente sobre a faixa construída e não sobre a existente. Nesta, seria fixada apenas uma taxa de manutenção, que seria mínima, de centavos de real. Agora, entre outros absurdos, lê-se neste Jornal que concessionárias que fizeram algum trecho de duplicação querem adicionais tarifários, um dos casos chegando a 45%. Volta-se à questão: parece que fazer obras não era obrigação, e que se algo fosse feito teria de ser pago à parte. Este é um dos pontos que não se compreende nos exdrúxulos acordos que Lerner celebrou, ele que tanto viajou para os Estados Unidos devia saber o que era sistema de privatização de rodovias. Se agora constata-se que há desinformação sobre tudo, imagina-se que as autoridades também ignorem a quantas anda a execução das cláusulas contratuais e como estão as rodovias pedagiadas. Nesses 8 anos em que o sistema existe ainda não se viu grandes coisas. Já deveria haver uma estrada duplicada de Londrina a Ponta Grossa (dali a Curitiba as pistas já são duplas), bem sinalizada e bem mantida, com serviços de comunicação em todo o trecho, e socorro executado inclusive por helicópteros, como acontece em todas as rodovias privatizadas do mundo. Mas as empresas não tinham suporte para isso e assim mesmo os contratos foram fechados. Coisas que ocorrem no Brasil. Mas, se consumado está e o governador Jaime Lerner deixou este triste legado aos paranaenses, inclusive fixando os degraus de tarifas e os aumentos anuais, os poderes governamentais do momento são flagrados em irresponsável desinformação sobre o que ocorre com o ''affaire'' pedágio. Não há controle sobre nada, pelo testemunho do próprio Tribunal de Contas, apenas sabendo-se que as concessionárias controlam bem os caixas, porque o volume de dinheiro que por ali entra é gigantesco uma mina de ouro a céu aberto e com direito a exploração por mais 15 anos.





