Desindustrialização?
Estudo divulgado pelas Contas Regionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pode apontar mais efetivamente para o processo de desindustrialização do País. Embora "fontes oficiais" afirmem que se trata de descentralização do crescimento do Brasil, uma análise mais efetiva e que considera a conjuntura macroeconômica atual aponta para um processo negativo e que pode acarretar em importantes consequências.
Segundo o IBGE, a representatividade dos cinco Estados com maior economia do País no Produto Interno Bruto (PIB) nacional caiu 2,8 pontos percentuais em uma década fechada em 2011, quando passou de 68% para 65,2%. No entanto, o principal problema apontado é que dos cinco principais Estados, dois dos mais industrializados registraram queda significativa. São Paulo caiu de 33,1% do PIB em 2010 para 32,6% em 2011; no Rio Grande do Sul, o índice de 6,7% foi para 6,4% nesse mesmo período. São Paulo, a maior economia estadual, sente mais os movimentos positivos ou negativos da economia, principal porque concentra um grande parque industrial exportador.
No entanto, é importante comentar os resultados da balança comercial brasileira. Embora nos últimos anos o saldo tenha sido positivo em números absolutos, o perfil da pauta exportadora foi modificado. Dados do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio indicam que nos anos 2000, 60% dos produtos exportados eram manufaturados. Em 2011, esse índice caiu para 36,8%. Já a comercialização de produtos primários saltou de 23,4% para 46,8%. Uma análise preliminar sugere que houve uma "reprimarização" da balança comercial brasileira e essa informação pode ser corroborada pelo aumento das transações entre Brasil e China.
Acompanhando a movimentação dos números, pode-se afirmar que é preciso o desenvolvimento de uma política mais efetiva de industrialização, além das desonerações pontuais. E não é só isso. É necessário mudar a política econômica e fiscal, além de promover uma série de investimentos em infraestrutura, a fim de melhorar a competitividade brasileira. Somente a mudança de tudo o que tem sido feito até agora é que poderá contribuir para que a indústria cresça novamente.





