A diferença social entre ricos e pobres ficou estagnada no Brasil. A informação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgada ontem, contraria tendência de redução da desigualdade registrada nos últimos anos atribuída aos programas públicos de distribuição de renda e ao crescimento da oferta de emprego mesmo em anos de crise econômica.
De acordo com os dados, a concentração maior de renda indica que os ganhos das pessoas que estão no topo da pirâmide (1% mais ricos) cresceram 10,8%, índice superior à média e aos salários das faixas de menor remuneração. A renda dos 10% mais pobres cresceu 6,6%. No ano passado o aumento foi de 5,8% na comparação com 2011. Para composição do índice foram consideradas informações do mercado de trabalho, acesso a serviços públicos e bens duráveis, educação, entre outros.
Para analistas, o crescimento da renda dos mais ricos pode ser explicada pela falta da oferta de profissionais qualificados, o que contribuiu para elevação dos salários. No entanto, para este ano a expansão dos ganhos deve ser menor. Em período de crise econômica, a tendência é de estagnação dos salários e de negociações coletivas com índices de reajuste menores.
Desigualdade social não é problema exclusivo do Brasil. O modelo de desenvolvimento adotado não conseguiu reduzir as diferenças, geralmente mantidas pela falta de uma política mais ampla. A educação é praticamente o único fator consistente que poderá contribuir para a mobilidade social. O acesso à informação e ao conhecimento estão intimamente ligados à igualdade de oportunidades. Além disso, é basicamente através da educação que a qualificação profissional se faz possível.
Se for considerado que nesta mesma pesquisa, o índice de analfabetismo apurado parou de cair enquanto o percentual de pessoas com nível superior completo cresceu meros 0,6% (de 11,4% para 12%), é possível afirmar que o "sinal amarelo" acendeu. Passou da hora de se investir em políticas mais consistentes. A redução da desigualdade social não será reduzida apenas com a distribuição generalizada de renda.

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