Acusação não é prova e esta é sempre difícil no caso de denúncia que envolva a administração pública mas o que não dá para evitar é o desgaste que sofre a imagem de uma empresa como a Itaipu, mais uma vez citada publicamente, e agora por suposta cobrança de propina. Primeiro foi a revista ''IstoÉ'' que publicou denúncia (citando gravações de um denunciante, Sérgio Renato Costa Filho, ex-sócio do advogado Roberto Bertholdo, este ex-membro do Conselho de Adminitração da usina) sobre a existência de caixa 2 na binacional, e agora é a revista Veja que abre as páginas (mencionando a mesma fonte) para desfiar um corolário de denúncias graves mas também falar do diretor brasileiro da Itaipu, o político petista (ex-vereador em Curitiba e ex-deputado federal) Jorge Samek, acusado de receber propina de 6 milhões de dólares para perdoar uma dívida de multa (por atraso de entrega), de 200 milhões de dólares, da empresa Voith Siemens, fornecedora de turbinas. O perdão realmente ocorreu. A Itaipu refuta as duas publicações e acena com medidas judiciais, por ''crime contra a honra do diretor''. Para ''restabelecer a verdade'', Samek declara que colocará à disposição seus sigilos bancário e telefônico, assim como todas as atas das unidades geradoras, da diretoria e do Conselho de Administração. Natural que um caso de propina não figuraria em ata. Mas o que fica registrada é a acusação, que, verdadeira ou não, empalidece ainda mais a imagem do Governo e do PT, depois de tudo o que aconteceu em 2005 e que ainda alimenta a crônica escandalosa da administração petista. (Bertholdo está preso há quatro meses, na Polícia Federal, por outras acusações contra ele, uma delas a de grampear um juiz federal). No caso da Itaipu, tudo caminha pela suposição do ''teria acontecido'', e certamente investigações irão ocorrer, mas por conta dessas notícias o desencanto do povo se robustece. Entre a versão e o fato há uma distância, mas as denúncias extraídas de 200 horas de gravação de conversas entre Sérgio e Bertholdo e estampadas nas duas revistas de circulação nacional, reforçam a onda de descrédito sobre tudo o que tem o carimbo da gestão pública. (É o presidente da República quem indica o diretor brasileiro da binacional, e, no caso, Samek é um de seus amigos amigos íntimos). Os pagadores das contas de luz e energia associam tudo isto a algo que tenha a ver com o seu bolso. Há um prejuízo moral para a gigante empresa brasileiro-paraguaia, e isto, no mínimo pelo episódio da denúncia e sua repercussão, reflete na credibilidade do Brasil e do Governo petista e deixa indignada a opinião pública. O momento é eleitoral, e diz o adágio popular que ''em tempo de guerra, mentira como terra'', mas é incumbência do Governo Lula determinar uma investigação, por envolver uma empresa construída com recursos públicos, por envolver um diretor indicado por ele e, ademais, um membro atuante de seu partido.

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