O 7 de Setembro não é mais o mesmo. Os grandes desfiles de antigamente, com bandas, fanfarras e porta-bandeiras, não existem mais. Hoje em dia as escolas são convidadas e participa quem quer. ''Não existe lei que obrigue as pessoas a desfilar'', justifica Eva Maria Okawati, assessora da Secretaria Municipal de Ensino, que organiza o desfile. Das 81 escolas municipais de Londrina, somente 8 participaram do desfile no ano passado, junto com 4 escolas estaduais. Nenhuma escola particular participou. Este ano o número de escolas na avenida vai ser ainda menor: 3 municipais, 3 estaduais e 1 particular. Uma outra mudança é que agora os desfiles têm ''tema''. No ano passado foi a ''Paz'' e este ano vai ser ''Educação e Cidadania''.
''O 7 de Setembro não é uma data significativa. Historicamente, não tem o que comemorar. Mesmo depois da independência o Brasil continuou sendo governado pelo filho do rei de Portugal'', diz Eva. ''Chegamos a pensar em não fazer o desfile mas resolvemos preservar a tradição'', conta. A escolha do tema, segundo Eva, é feita por uma comissão: ''a idéia é utilizar o evento para fazer as pessoas refletirem sobre as coisas importantes da realidade brasileira'', explica.
Com a reforma do currículo de ensino, disciplinas como Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira (OSPB), deixaram de existir nas escolas. Os temas e valores cívicos, de acordo com a Secretaria, agora são trabalhados junto com as outras disciplinas. ''Esses conteúdos de amor à pátria, com esse enfoque, não se trabalham mais'', declara Isabel Félix, coordenadora de História do Núcleo Regional de Ensino. ''Essas questões são colocadas de forma crítica e cada escola decide como vai trabalhar. Nós nem ficamos sabendo o que cada escola está fazendo'', comenta. As escolas municipais também não exigem estes conteúdos nos currículos: ''Não existe uma cobrança com relação a isso'', admite Eva. No entanto, ela garante que as crianças aprendem a cantar o Hino Nacional e o Hino a Londrina. ''Graças a Deus que hoje em dia ninguém mais é obrigado a decorar o Hino Nacional. As escolas ensinam, trabalham, analisam o Hino mas não se decora mais. Não tem mais aquela coisa de hastear bandeira todo dia e colocar os alunos em posição de sentido'', destaca Isabel.
Não é bem assim. Em algumas escolas a cerimônia de hasteamento da bandeira é repetida toda semana. ''Amor à pátria não caiu de moda, não! Nós hasteamos a bandeira toda sexta-feira e ensinamos os alunos não só a cantar o Hino Nacional mas a fazer isso com a postura correta'', garante a professora Iolanda Magalhães Albertina, coordenada de 1 a 4 série do Colégio Universitário. Apesar disso, a escola não participa do desfile: ''Eu nem sei porque esse costume foi desaparecendo'', analisa Isabel. No Colégio Marista a bandeira também é hasteada toda sexta-feira e os alunos são obrigados a decorar o Hino Nacional: ''Acho que isso faz parte da formação cívica do cidadão'', indica Marize Rufino, diretora da escola.
O não pagamento de horas extras seria um dos principais motivos pelo qual as escolas não desfilam no 7 de Setembro. A diretora da Escola Professor José Gasparini, no Conjunto Farid Libos (zona norte), lembra que ''ninguém gosta de trabalhar sem receber''. Edna Scheel diz que a maioria das professoras prefere descansar nesta data. Ela lamenta a falta de incentivo por parte da Secretaria de Educação: ''As escolas municipais tinham que ser a alavanca do desfile'', afirma.
Para os policiais militares, a participação no desfile não é simplesmente um ''convite''. Todo ano pelo menos 3 dos 5 pelotões do 5º Batalhão de Polícia Militar participam do desfile. Uma escala determina quem vai desfilar e quem vai trabalhar na segurança. O comandante vê com tristeza a decadência dos desfiles e das comemorações cívicas: ''Nós temos que cultuar o civismo, não podemos deixar isso acabar. O serviço militar e o serviço público têm que ser feito, em primeiro lugar, por amor a pátria e não por obrigação. E esse amor se aprende, sabe?''.

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