O livro didático está longe de ser o instrumento eficaz para formação do estudante porque é imposto pelos pedagogos do Ministério da Educação e segue o pragmatismo secular, ou seja, o usual. Os visuais gráficos se alteram, mas o conteúdo é sempre o mesmo, com poucas variações. Isto significa que o que se ensinava cinquenta anos atrás é o que se ensina ainda hoje.
O advento do computador nas escolas foi apenas um avanço tecnológico, mas a pedagogia é a mesma. Porque o vetusto corpo de pedagogos do Ministério - que é o que impõe as normas básicas e dita o que deve ser ensinado - não evolui e está longe de alcançar a realidade do mundo de hoje.
A história é sempre contada a partir de um ponto de vista oficial, com a exaltação dos mesmos ''heróis'' e suas batalhas e as meias-verdades de seus heroísmos. Do ponto de vista dos adversários, a versão é sempre ao contrário. Os pedagogos estão a serviço da causa conveniente da história da pátria e de contar o que a oficialidade disponibilizou.
A questão do livro didático foi levantada neste Jornal, e o pedagogo e economista Hermas de Melo afirma que o livro didático incentiva a individualidade e o propósito de ganhar dinheiro. Certo é que a objetividade é marcadamente presente, em prejuízo da sublimação de valores maiores como a solidariedade, a cooperação mútua, o direcionamento da mente escolar para a causa do bem comum.
Sutilmente a escola ensina a competir e não a partilhar, e para completar a criança encontra em casa os jogos do computador, que nada mais são senão disputas e muita violência. A produção virtual está voltada para a causa do mal e converte-se hoje numa grande pestilência mundial - ressaltadas, obviamente, algumas excelentes produções. Os pais são coniventes e permitem o livre acesso dos filhos a tudo isso e ainda os municiam com DVDs do gênero. Não se imagina como se salvarão as crianças.
Embora a escola invista no desenvolvimento da criança para a artes e outras práticas vocacionais, está longe ainda de voltar-se intensivamente para a formação do cidadão solidário, que é o único caminho para fazê-lo integral e capaz de viver em harmonia no meio social. Não se trata de passar-lhe lições de delicadeza e de bom comportamento formal, mas descer mais fundo e ensinar-lhe a ciência do bem viver, de prosperar honesta e moderadamente e fazer que todos cresçam juntos.
A competição gananciosa - que emana de todas as formas de ensino, a partir da escola, da família e da igreja - tende a levar ao enriquecimento de alguns por expedientes muitas vezes ilícitos e ao empobrecimento de outros, em meio a tanta abundância de riqueza, que poderia servir a todos e fazer todos felizes. As crianças de hoje serão os empresários e dirigentes de amanhã que não desejarão partilhar, como já fazem hoje, mas apenas competir, porque isto não lhes está sendo ensinado.

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