Não há vantagem em produzir carne bovina com qualidade se o produtor não recebe remuneração correspondente a essa melhoria. Ao não valorizar esse produto de característica especial os frigoríficos prestam um desserviço ao Brasil e desestimulam o pecuarista a investir na melhora dos padrões da carne. Isto poderá significar uma desistência de investir num produto melhor se não houver um prêmio pela qualidade. Se o frigorífico comercializa a preço mais alto essa carne, só ele se beneficia porque essa vantagem não é repassada ao produtor. O abatedor recebe cerca de 35 dólares por arroba e paga 20 dólares ao produtor, percebendo-se como é grande o diferencial. Com o advento da rastreabilidade, que tem custos adicionais, o que ocorreu foi não a valorização do boi rastreado mas a queda do preço do animal comum. Se as exigências do importador são atendidas, segundo os gostos pecualiares dos respectivos consumidores, falta no Brasil o estabelecimento de padrões para a qualidade da carne bovina, e isto o Ministério da Agricultura precisará definir. Há indícios de cartelização no setor, pelas exigências cada vez maiores sobre os pecuaristas, sem nada oferecer-lhe de adicional. Se não é o governo que está fixando essa nova ordem, caracterizada por fixação de descontos e bônus mais aqueles do que estes questiona-se quem está estabelecendo esses critérios. O frigorífico deixou de pagar preços do dia, estabelecendo descontos, no valor pago ao produtor, para os bois com peso entre 15 e 16 arrobas. Peso abaixo de 15 arrobas normalmente tem preço de vaca, que hoje corresponde a R$ 49,15 a arroba bem abaixo da cotação do boi gordo, que é de R$ 57 mas a cotação foi rebaixada também no limite das 15 e 16 arrobas. Esse critério é arbitrário e típico de um cartelismo que não tem preocupação como uma boa convivência que deve haver entre as duas extremidades do processo o produtor e o frigorífico. Este também fixa descontos para boi não-castrado, sob a alegação de que tal prejudica o rendimento da carcaça. Essas exigências não ocorriam no Paraná até que, a partir do começo do corrente mês, os dois maiores frigoríficos do Estado se fundiram, começando aí a imposição dessas absurdas exigências e a fixação de critérios de preços esta uma prática mais antiga. Instalou-se um predomínio desses abatedores e uma deterioração na relação com os pecuaristas, que passaram a sofrer pressões, sem nenhuma contrapartida de benefício. Os produtores não foram avisados sobre essa alteração de regras e só ficam sabendo deles depois do boi abatido. Os prejuízos passaram a ser grandes para os pecuaristas do Paraná, porque ou eles se adaptam às exigências agora impostas ou têm de arcar com o custo do frete e de maiores impostos para vender a frigoríficos paulistas. A propósito, se tornará inócuo tudo o que se discutir no próximo Seminário Nacional da Produção de Carnes com Qualidade, que se realizará em Londrina dia 8 de outubro.

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