Desequilíbrio natural trouxe cupim para cidade
O desequilíbrio natural é o maior responsável pela chegada do cupim à zona urbana. A exploração comercial das matas diminuiu a quantidade de alimento disponível no campo. Assim como outras espécies de seres vivos, ele migra de área na busca da sobrevivência. Para encontrar a celulose, presente em árvores mortas, madeira e móveis, ele fura plástico, borracha e até concreto.
Em Londrina, dezenas de residências sofrem desse mal há muito tempo. Uma delas é a do motorista aposentado Darci do Nascimento, morador da rua Euclides da Cunha, no Jardim Shangri-lá A (zona oeste). Nos últimos 10 anos, ele vem tentando eliminar o inseto que teima em viver no quintal. ''Ele só não se instala dentro de casa porque a gente não deixa de fiscalizar''. Embora, o cupim ainda não tenha feito grandes estragos em sua propriedade, com certeza, já consumiu vários litros de querosene e latas de veneno.
No mesmo quarteirão de Nascimento, pelo menos, outras duas casas tem o mesmo problema. Segundo a bancária aposentada Anita Fátima Bolinelli, o ninho do inseto, que invadiu um cômodo nos fundos da casa, está no terreno de um vizinho. ''Já reconstruí a dependência em alvenaria e nem assim eles desapareceram. Minha última alternativa é procurar ajuda na prefeitura'', disse.
Seo Darci já desistiu dessa idéia depois de muitos telefonemas em vão. A opção de contratar um serviço de dedetização especializado também não o agrada. Ele tem medo de cair no golpe do ''Zé Bombinha''. ''Já ouvi muitos casos de pessoas que foram enroladas por falsos dedetizadores que batem de porta em porta vendendo água ao invés de veneno''.
O proprietário de uma empresa do ramo em Londrina, Cleuton de Araújo, lembra que já foi abordado por um policial num distrito rural da cidade sob suspeita de golpe. Segundo ele, esses 'picaretas' agem, preferencialmente, na periferia e seu alvo principal são os idosos. ''Eles não têm crachá, não usam equipamento de proteção, elevam o preço do serviço após a conclusão e não dão recibo'', afirma Araújo.





