Desequilíbrio nas contas da saúde
Há um desequilíbrio no sistema de saúde brasileiro. É o que apontou a Pesquisa Conta Satélite de Saúde, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem. O estudo mostrou que a participação do cidadão tem sido bem maior do que a do governo. Os dados são de 2013 e revelaram que naquele ano o cidadão brasileiro gastou R$ 234 bilhões em consumo final de bens e serviços de saúde, enquanto o governo gastou R$ 190 bilhões - totalizando R$ 424 bilhões. A diferença é de 22%. O dispêndio, por pessoa, por parte do poder público, ficou em R$ 946,21, enquanto o gasto per capita para as famílias ficou em R$ 1.162,14.
Os serviços privados de saúde pesaram mais no bolso do brasileiro, respondendo por 62% dos gastos nesse setor - dois pontos percentuais a mais do que a pesquisa do IBGE mostrou em 2010. Por outro lado, caíram as despesas das famílias com compra de medicamentos. Se em 2010, esses gastos representavam 37% do total das despesas, em 2013 o índice caiu para 34%.
O poder público gasta menos em saúde do que o cidadão e investe pouco no setor. Há alguns meses, uma outra pesquisa, feita e divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), trazia a informação de que o governo brasileiro destina por ano à saúde de cada indivíduo menos do que a média mundial. Segundo a organização, levando em consideração dados de 2012, os gastos públicos nos países ricos chega a ser mais de cinco vezes o que o Estado brasileiro oferece. Enquanto o governo brasileiro destinou em média a cada pessoa US$ 512 por ano em saúde, os gastos públicos com saúde no mundo em 2012 foram de US$ 615 por pessoa. Quando se leva em conta apenas as despesas feitas por países ricos, a diferença é gritante. Conforme a OMS, em média, os países desenvolvidos destinam US$ 2.800 a cada um de seus moradores. Na Noruega, a média foi US$ 7.900; Suiça, US$ 5.900; e Estados Unidos, US$ 4.100.
Outra diferença revelada pela OMS: em 2012, o Brasil destinou 9,5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para a saúde enquanto a média mundial foi de 14%. Taxa que chega a 16,8% nos países ricos.
Que o poder público brasileiro investe pouco em saúde, não é novidade. Mas é desconcertante quando os números são revelados e ficam à disposição para comparações. O sujeito paga altos impostos e mesmo assim gasta muito com saúde privada. E ainda tem que engolir o fato de que parte do pouco dinheiro que o governo coloca no setor ou é mal aplicado ou é desviado por esquemas de corrupção.





