O que a natureza demorou milhões de anos para equilibrar, o homem vem desfazendo rapidamente, bagunçando os ecossistemas. O desmatamento, a caça e a pesca predatória e a ocupação urbana irregular são apenas alguns exemplos desse modo de vida nocivo ao meio ambiente.
Uma das consequências do desiquilíbrio ambiental é tema de reportagem de hoje da FOLHA, que trata do ataque de animais peçonhentos contra o ser humano. Os casos se multiplicam no verão, quando o calor altera a rotina de algumas espécies perigosas e as pessoas se expõem ainda mais ao perigo, aproveitando os feriados e as férias para acampar e passear em áreas de mata e morros.
No Paraná, especialmente seis espécies preocupam: abelhas, aranhas, serpentes, lagartas, escorpiões e, mais recentemente, as arraias, que vêm subindo a Bacia do Rio da Prata e se proliferando no Rio Paraná e seus afluentes. Até o dia 11 de dezembro, o Estado registrou 10,4 mil acidentes com animais peçonhentos. Em Londrina, as ocorrências até essa data superaram o total de 2012.
A invasão dos animais peçonhentos aos limites da zona urbana tem muita relação com o desequilíbrio ecológico, fator que ocorre quando um elemento - que pode ser animal ou vegetal - desaparece da natureza, é reduzido significativamente, ou então é introduzido no ecossistema. Quando os homens desalojam algumas espécies, elas acabam buscando formas de sobreviver e alimentos em outros lugares.
Poucas pessoas relacionam as ocorrências mais frequentes de ataques dos animais peçonhentos ao desequilíbrio ambiental. Assim como também esquecem que o desmatamento e a ocupação urbana desordenada causam desastres ambientais de grande proporção, principalmente nos primeiros meses do ano, quando as chuvas fortes são comuns no Brasil. Sem falar na dengue, outra "praga" que cresce no verão e que tem muita relação com a educação e os cuidados de uma comunidade com suas casas e bairros.
Desequilíbrios ambientais afetam a todos, independentemente de sexo, idade e classe social - porém, é necessário reconhecer que a população pobre continua sendo a mais prejudicada pelas tragédias climáticas. Obviamente, as administrações públicas têm grande parcela de culpa, mas o cidadão comum também precisa reconhecer que tem o poder de melhorar o seu habitat, interferindo menos e cuidando mais.

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