Desenvolvimento uniforme
A participação dos municípios no Produto Interno Bruto (PIB) nacional de 2011, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforça a desigualdade entre as regiões brasileiras. A riqueza se mantém concentrada nas regiões Sudeste e Sul, em detrimento do Norte e Nordeste. Há dois anos, 25% de toda a renda gerada no País ficou concentrada em seis capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Manaus), que detinham 13,7% da população. Metade do PIB do País está em apenas 55 municípios.
Naquele mesmo ano, 1.323 cidades responderam por 1% do PIB e concentraram 3,3% da população. Nesta faixa, estavam 73,7% dos municípios do Piauí; 62,3% da Paraíba; 54% do Tocantins; e 53,3% do Rio Grande do Norte. Na maioria dos Estados das regiões Norte e Nordeste, os cinco maiores PIB municipais concentravam mais da metade do PIB estadual, exceto Tocantins (46,1%) e Bahia (42,6%).
Um país só pode ser considerado desenvolvido se o crescimento é igualitário. Não é o caso do Brasil. É uma diferença muito grande, ter um grupo de dez municípios com renda média per capita de cerca de R$ 238 mil, enquanto nas dez cidades mais pobres, a renda média per capita é de R$ 4.519. Além disso, ainda é preciso considerar que a maioria desses municípios mais pobres depende basicamente da administração pública. Não há concentração significativa de indústria, comércio ou serviço.
Os números mostram claramente que é preciso direcionar investimentos, a partir da elaboração de um plano de investimentos que atue para modificar essa realidade. Além das diferenças e vocações regionais, que devem ser respeitadas, o desenvolvimento tem que ser uniforme em todo o País. Investimentos em educação e qualificação profissional e incentivos a setores da economia que já fazem parte da realidade desses locais são fundamentais.





