Desenvolvimento sustentável: desafios para os municípios
No último dia 27 foi realizada, em Maringá, a reunião regional preparatória para o 3º Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável (EMDS), que acontecerá em Brasília de 7 a 9 de abril. É o maior evento sobre sustentabilidade urbana do País. Um dos pontos de destaque deste encontro é o fato da ONU ter estabelecido como novos objetivos o "Desenvolvimento sustentável", com implicações para todos os municípios, que precisam fazer a lição de casa nas dimensões sociais, econômicas, ambientais, culturais e políticas. Este encontro, promovido pela Frente Nacional de Prefeitos, deve reunir mais de 5 mil participantes que debaterão temas como: "Empreendedorismo e desenvolvimento local sustentável: políticas públicas de incentivo e de financiamento", "A crise hídrica: causas, situação atual e cenários futuros", "Objetivos do desenvolvimento sustentável" (ONU) e o "Habitat 3: a nova agenda urbana e o protagonismo dos governos locais", "Mobilidade urbana: esgotamento do modelo atual e a urgência de uma pactuação federativa", "Governança e gestão das políticas públicas metropolitanas", "Desafio da saúde pública: financiamento, qualidade e gestão", "Cidade e democracia: reforma política, reforma federativa e participação social". Também serão apresentados modelos exitosos de cidades sustentáveis europeias. No encontro haverá muita troca de experiências que inspirarão aos participantes na reprodução de boas práticas. Ao final será apresentado o documento validado por todos os prefeitos e encaminhado ao governo federal.
Trata-se de uma ótima oportunidade para Londrina apreender com bons exemplos e também mostrar seus ativos diferenciais que, podem colocar nossa cidade em evidência para atrair investimentos públicos e privados. Certamente, haverá a participação de nosso prefeito ou representantes que poderão divulgar que nossos recursos hídricos, diversidade econômica, polo educacional e de saúde e qualidade de vida nos colocam à frente da grande maioria dos municípios brasileiros. Os 84 córregos na área urbana, geralmente margeados por vales verdes que servem como área de preservação permanente e para a infiltração de água das chuvas, somados ao aquífero Serra Geral e seus rios superficiais e aquífero Guarani, dão para nossa cidade uma identidade diferencial. Ao longo do seu crescimento, Londrina construiu um sistema de saneamento com tratamento e coleta de esgoto, disponibilizou água potável e tratada e, em certa medida, instituiu um sistema de coleta seletiva de resíduos sólidos, tornando a cidade referência nacional em muitas questões ambientais.
Preservar os ativos existentes e potencializá-los é uma tarefa imperiosa que envolve a todos: sociedade, governos e cidadãos. Não queremos simplesmente crescer, mas nos desenvolvermos com qualidade e sustentabilidade em todos os aspectos. Londrina tem dado um belo exemplo na gestão dos resíduos recicláveis, tem aprimorado seu sistema de coleta e processamento e com a organização através de cooperativas, inclui o trabalhador reciclador, garantindo a eles os benefícios sociais a que todo cidadão tem direito. Não podemos jogar fora este patrimônio e dar as costas às conquistas e prêmios de reconhecimento que Londrina já recebeu em diversas administrações.
A metrópole de Londrina deverá ser planejada e gestionada de maneira sustentável, para não incorrermos nos mesmos erros que tanto observamos nas metrópoles brasileiras e em países do chamado Terceiro Mundo. A gestão territorial pelas águas é necessária e urgente. Londrina pode ser não apenas uma metrópole, mas uma ecometrópole onde o cuidado com o meio ambiente convive com o desenvolvimento urbano. Precisamos traçar planos, metas, desenvolver projetos e ações, contribuindo para melhorar o lugar onde vivemos e não destruir o valioso patrimônio natural que temos. Com a escassez da água em todo o mundo, se fizermos nossa lição de casa, poderemos atrair para Londrina e região muitos recursos públicos e privados, garantindo a todos qualidade de vida.
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