Londrina sempre foi conhecida como uma cidade de vanguarda. Fruto do trabalho e de lutas empreendidas pelos pioneiros, o município se desenvolveu e se firmou como um grande polo regional. No entanto, há alguns anos a cidade vem perdendo parte da sua importância econômica e política no cenário estadual e nacional. Resultado de várias crises políticas, de anos de inércia de administrações, do sucateamento da máquina pública e do excesso de burocracia implantada pelas leis municipais, o fato é que o desenvolvimento da cidade tem sido prejudicado.
Essas afirmações são corroboradas por reportagem publicada na edição de hoje desta FOLHA. Pelo menos dez processos de novos empreendimentos considerados Polos Geradores de Tráfego (PGTs), a maioria protocolados há dois anos, ainda não foram devidamente aprovados. Sem esse documento, obras não podem estar em andamento e os empreendimentos não podem estar em funcionamento. No entanto, na prática não é o que tem acontecido. Enquanto alguns empresários seguem os trâmites normais, outros decidem tocar seus empreendimentos a revelia da lei – e conseguem. E isso não pode continuar a acontecer.
É preciso uma política mais coerente e que, de fato, planeje o desenvolvimento da cidade. Não se trata de facilitar concessões de alvarás e prejudicar a vizinhança e o tráfego de veículos. No entanto, também não se pode ter "dois pesos e duas medidas". Se a lei é – e deve ser – igual para todos, não se pode beneficiar empresas construídas à revelia da legalidade.
Se o desenvolvimento da cidade foi prejudicado há vários anos por culpa da própria população, que escolheu mal seus representantes, chegou a hora de por um ponto final nesse passado. É preciso que a sociedade seja envolvida em uma discussão que planeje o futuro de Londrina. Qual a cidade que queremos construir? É o momento de uma reflexão coletiva ou o município continuará a lamentar as perdas econômicas.

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