Desenvolvimento e meio ambiente
O debate entre o desenvolvimento econômico e a sustentabilidade do planeta cada vez será mais intenso. As duas questões são de suma importância para o futuro da humanidade e da própria continuidade da vida ao redor do globo, mas é preciso equilibrar os dois assuntos sem qualquer viés ideológico até para garantir que nenhuma dessas vertentes seja prejudicada pelo avanço da outra.
Reportagem de hoje desta FOLHA relata as dificuldades enfrentadas por pequenos municípios do Sudoeste do Paraná. Capanema e Capitão Leônidas Marques seriam beneficiados pela construção da Usina Hidrelétrica Baixo Iguaçu, obra do Consórcio Geração Céu Azul que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento. O empreendimento, erguido a cerca de 500 metros dos limites do Parque Nacional do Iguaçu, que teve apenas 30% do seu cronograma cumprido seria mais uma usina do rio que oferece enorme potencial energético. No entanto, a obra foi embargada em julho por órgãos ambientalistas.
Importante acrescentar que mais de 80% da energia gerada no Brasil vem de usinas hidroelétricas. A energia é considerada limpa, uma vez que praticamente não emite gases de efeito estufa, ao contrário de outras fontes como as termoelétricas, mas o problema está principalmente nos danos ambientais. Como há a necessidade de represar os rios, enormes regiões são alagadas o que provoca alterações no ecossistema. No caso específico da Usina do Baixo Iguaçu ainda há a proximidade com o Parque Nacional do Iguaçu, considerado pela Unesco Sítio do Patrimônio Mundial Natural.
Também importante salientar que a geração de energia é uma necessidade real. Sem ela, corre-se o risco de apagões, o que impede a produção da indústria, o funcionamento do comércio e da prestação de serviços, pilares para a geração e manutenção do emprego e da renda. Além disso, a própria população é prejudicada pela distribuição falha nas residências.
Além de observar a questão ambiental, que não pode ser deixada de lado, também é preciso calcular os impactos da não geração de energia elétrica. Como as hidroelétricas são sujeitas às variações climáticas e ao regime de chuvas, o racionamento pode ser um risco. Além disso, geração e distribuição de energia são itens que fazem parte da infraestrutura de um País, que já é deficitária no Brasil. A discussão precisa ser aprofundada até para definir os rumos do crescimento e do desenvolvimento.





