O consumo de energia elétrica é um dos termômetros que indicam o crescimento de um País, Estado ou município porque é um insumo utilizado em todos os níveis: indústria, comércio e residências. Demonstra claramente o nível da produção industrial, o aquecimento do comércio e o consumo das famílias.
No final dessa semana a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão vinculado ao Ministério das Minas e Energia, divulgou levantamento apontando que o consumo de energia elétrica subiu apenas 3,6% no ano passado, atingindo 430,1 mil gigawatts-hora. O índice é bem inferior ao registrado em 2010, quando a demanda aumentou 7,8%. O responsável pelo resultado, que derrubou o percentual, foi justamente o setor industrial, que cresceu apenas 2,3%, ante um desempenho de 10,6% em 2010. No Paraná o percentual registrado foi de +4%, acima da média nacional. Em todo caso, vale a pena ressaltar que a fraca demanda já indica que a indústria sente os efeitos da crise econômica na Europa, que segue indefinida. Outro fator que pode prejudicar mais os paranaenses são as medidas protecionistas anunciadas recentemente pela Argentina, um dos nossos principais parceiros comerciais.
Mesmo com o resultado, o setor industrial ainda é responsável por metade do consumo total de energia. Projeções da EPE indicam que até 2021 a demanda vai crescer 4,5% ao ano, índice projetado pouco abaixo do crescimento do Produto Interno Bruto, estimado em 4,7%, e que considera o aumento da eficiência energética.
No entanto, é preciso fazer ainda algumas considerações. Levantamento da
Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, divulgado no ano passado, aponta que o custo da energia industrial brasileira é um dos mais altos do mundo. Nada surpreendente para um País que também tem uma das maiores cargas tributárias do planeta, cenário este que precisa ser modificado. A produção já é demasiadamente penalizada, mas deixar de incentivá-la, principalmente, em cenários de crise pode significar menos empregos, renda e arrecadação.
É preciso uma discussão mais abrangente sobre os rumos da economia nacional e do futuro do País. A arrecadação bate recordes todos os anos, sem que isso se traduza em serviços mais eficientes à população. Ao contrário, as administrações públicas têm aumentado seus gastos e contratando mais funcionários comissionados. Será que já não é passada a hora de um basta?

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