Falta de projetos, articulação e contato entre as lideranças. Essa é a realidade atual do desenvolvimento da região Norte do Paraná, conhecida décadas atrás por seu dinamismo e pioneirismo. A visão é da professora de Geografia da UEL, Yoshyia Nakagawara - e Desenvolvimento Urbano. A seguir, a entrevista concedida durante a realização do 3º Congresso Regional das Cidades, que não contou com representantes da prefeitura de Londrina durante os trabalhos técnicos.

Como vê o desenvolvimento atual do norte do Paraná?
De palavras, letras e discursos, já estamos cheios. Temos carência de projetos efetivos e verba para implantar. Mas, para isso, precisamos da participação da população, universidades e associações comerciais. Não podemos deixar tudo a cargo dos governos. Sou um pouco descrente dessas questões institucionais porque ajudei a elaborar o Plano Diretor de 95, o Metronorte, mas tudo ficou nas gavetas. Hoje, acredito mais em indivíduos e pessoas do que em governos. Por exemplo, tenho participado da elaboração do projeto Acquametrópole, que prevê melhoria na qualidade de vida da cidade a partir dos cidadãos. Junto com a promotoria e ONGs estamos iniciando o trabalho por uma bacia escola, no Córrego Água Fresca, e pretendemos mexer com a auto-estima da população.

Há investimentos suficientes em inovações tecnológicas?
Muitas empresas, pessoas e universidades têm pesquisa de ponta, mas tudo depende de dinheiro. Sem financimento não há como crescer científica, cultural ou socialmente. Nosso problema é que temos poucas lideranças atualmente. Por exemplo, o líder de um município de 500 mil habitantes como Londrina deveria conduzir todo a região, aparecer sempre na mídia, dar mais estímulo para a população. Mas por que ele está ausente hoje? Não sei... Acredito que as pequenas coisas, somadas, é que constróem o geral. Então, eu cobro a presença do prefeito.

Como fortalecer as inovações tecnológicas?
Se o reitor, o presidente da Embrapa, do Iapar, os diretores das outras universidades, todos eles fizessem reuniões pelo menos uma vez por mês, chamassem o prefeito e o governador, e pensassem o crescimento social e científico, ninguém conseguiria nos ultrapassar. Agora, não há reuniões, as pessoas não se conversam. Falta articulação, liderança, contato. As coisas estão em ponto morto há muito tempo.

Uma das alavancas de nosso desenvolvimento são os festivais, mas ultimamente a discussão cultural se dá em torno de R$ 70 mil que o governo prometeu ao Festival de Música e não repassou, além do calote aplicado no Filo. Mal comparando, o salário do governador e do vice somam R$ 50 mil - são os maiores do país... É uma crise de prioridades também, não?
Em primeiro lugar, há uma falta de sensibilidade à cultura de maneira geral em todo o país. Nos países desenvolvidos a cultura está em primeiro lugar, sem ela não se alavanca uma sociedade do ponto de vista coletivo, pensando em desenvolvimento. Além disso, acho também que nossa visão de cultura é ultrapassada, cultura é conhecimento. Se eu tivesse o poder nas mãos, reuniria todas as pessoas ligadas à cultura, e todas aquelas que não estão ligadas mas gostariam de estar, e perguntaria por que estas pessoas não estão incluídas. Por que existem só aqueles do Promic etc e tal? Acho que devemos começar pela base, pelo ensino fundamental.

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