Desenvolvimento, a nova palavra de ordem
O que mais se está ouvindo, tanto na esfera política vencedora - a começar da palavra do presidente reeleito - quanto no círculo empresarial, é a palavra desenvolvimento. Porque é isto que se aponta como salvação nacional a partir de 1º de janeiro, quando o ''novo'' Governo Lula irá assumir. O ministro da Fazenda, Guido Mantega - que deverá continuar no cargo - declara que o segundo mandato terá uma característica ''mais desenvolvimentista''. Em outras palavras, o crescimento econômico, gerador de mais emprego e mais riqueza. O ministro das Relações Internacionais, Tarso Genro, chega a apontar um crescimento de 5% já no ano que vem. Não diz como isto se operará - portanto tal é, ainda, apenas um discurso - mas a tônica da próxima administração federal é o desenvolvimento. Paulo Bernardo, ministro do Planejamento e outro que deverá permanecer, fala de uma ''bem sucedida'' política econômica da administração Lula até aqui, mas declara que, no segundo turno governamental, a questão do crescimento econômico ''terá mais ênfase''. Há um despertamento no cículo governamental, bafejado pela vitória, para a tomada de uma nova direção nas políticas de governo para com a economia. O teólogo e militante petista Frei Betto, que integrou o Governo Lula e depois afastou-se por discordar justamente da política econômica, também defende um mandato ''mais progressista, com metas de desenvolvimento sustentável''. A palavra de ordem é crescimento econômico - e o Presidente repetiu isto em pronunciamento de terça-feira na televisão. Resta saber-se como isto ocorrerá, porque para execução dessa ambiciosa tarefa será preciso traçar um programa de metas definidas. Não valerão apenas intenção e discurso, mas projetos palpáveis e consistentes, que devem incluir grandes reformas - exigentes de entendimento com o novo Congresso Nacional, para que elas entrem em pauta e sejam aprovadas. Estão aí para serem discutidas as reformulações da legislação trabalhista, do sistema tributário, da Previdência, da saúde, do pesado encargo social sobre a folha dos empregados - como forma de estimular a empresa para novas contratações - dos gastos públicos supérfluos, do atendimento à agricultura e às atividades produtivas no geral. Estes são alguns dos caminhos para reestruturação do modelo econômico. Será preciso trabalhar em cima de projetos dessa natureza e isto exigirá muito fôlego. Se o presidente Lula já declarou, após a eleição, que quer promover a união nacional, deve estar se referindo a uma conexão ampla com as inteligências vivas deste país, para colher dessas fontes os subsídios de que necessita. Sem a participação das lideranças da cadeia produtiva, que sustenta a economia e gera empregos e tributação, será mais difícil o governo promover o grande salto de crescimento ora anunciado. Sabe o presidente Lula que, para isso, terá de remover obstáculos dentro de seu próprio domínio para efetivar a integração nacional que deseja, porque tal projeto trilha por caminhos de mão dupla, sendo necessário falar e saber ouvir, pedir e fazer concessões.





