O futuro da economia londrinense está no aproveitamento dos universitários que se formam aqui. O problema é que a cidade não sabe utilizar essa mão-de-obra qualificada. Esta é a opinião do empresário Fernando Lopes Kireeff, presidente da Agência Terra Roxa Desenvolvimento, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), que atua no Paraná. Segundo ele, a região possui um excedente de ''cérebros que, se soubermos aproveitar adequadamente, pode agregar muito valor''. Confira os principais trechos da entrevista.

Como avalia Londrina, atualmente?
Londrina é uma cidade muito desenvolvida, considerando sua idade: tem um aparelhamento muito bom para a atração de investimentos. O principal atrativo, que acreditamos estar sub-utilizado, é a massa de estudantes universitários. Estamos entrando, mundialmente, numa fase da economia em que dependemos muito de cérebros. Em nossa região há um excedente de cérebros que, se soubermos aproveitar adequadamente, poderemos agregar muito valor.

Hoje temos a Índia como líder mundial na produção de softwares. Em linhas gerais, o senhor vê o Brasil como uma potencial ''bola da vez''?
Sim, há grandes chances de o Brasil se tornar a bola da vez. A Índia, que lidera a lista, está com seu mercado maturando. Com isso, acredito que o País pode ser a próxima potência na tecnologia da informação (TI) e nossa região pode se tornar um importante pólo de desenvolvimento.

Para Londrina se converter em um pólo da TI, quais as ações a serem adotadas?
Temos de trabalhar em dois campos. De um lado, devemos preparar nossa estrutura interna, nossos estudantes. A vinda de uma Escola Técnica para cá foi fundamental e os institutos de desenvolvimento têm de estar extremamente articulados, de forma que a gente crie uma massa mais especializada. Por outro lado, precisamos mostrar isso para as grandes empresas do setor, o que vem sendo feito de forma bastante satisfatória.

Qual o retorno obtido?
Mantemos contato com os grandes players mundiais no setor da tecnologia da informação e eles já conhecem nossa região e a entendem como um espaço de futuro. E o que é mais importante: já estamos vendo negócios surgirem. Cito, como exemplo frutífero, a Londrina Information Technology (Lint), que nasceu nesse ambiente.

Para o Brasil não nadar, nadar e morrer na praia, qual o exemplo a ser seguido, para se implementar uma revolução por tecnologia?
O grande exemplo de revolução por tecnologia é a Irlanda, que era uma dos países mais pobres da Europa e, em uma geração, tornou-se dos mais ricos. Essa revolução foi feita por meio da educação e de um trabalho de ajuste da macroeconomia.

E a lição de casa está sendo feita?
Estamos fazendo o reajuste de nossa macroeconomia, essa lição de casa está bem encaminhada. Na parte educacional, tenho minhas dúvidas. Isso pode vir a ser um gargalo e deveríamos nos espelhar no exemplo da Irlanda e da própria Coréia do Sul, que fizeram o investimento adequado e colheram frutos. Como o trabalho educacional no Brasil ainda vem sendo muito questionado, se não trabalharmos nesse sentido, podemos, diante de um crescimento rápido, esgotar rapidamente todo esse contingente de cérebros. Ainda não encontramos o formato ideal voltado à base.

O senhor enxerga alguma evolução?
Com certeza. O importante é que a questão educacional está entrando em nossa agenda. Anteriormente, a agenda do Brasil era mais voltada à economia: nossos problemas econômicos eram tão graves que não dava nem para discutir o resto.

Recentemente realizamos a Exposição Agropecuária e Industrial, e Londrina consolida sua vocação para o agronegócio. É possível conjugar muitas vocações numa mesma cidade e num mesmo País?
Totalmente. Cito o contra-exemplo: os Estados Unidos, um dos maiores produtores agrícolas do mundo, são também o grande produtor tecnológico. Não há divergência. Pelo contrário, o agronegócio já deu sua lição ao País: através da inteligência e da pesquisa, ele universalizou a tecnologia no campo. Hoje, qualquer agricultor é tecnificado. Não à toa nossa agricultura é imbatível.

Diante de tantas vocações, o que há de ''namoro'' com indústrias de fora interessadas em Londrina?
Estamos com uma série de namoros, especialmente na área da tecnologia da informação, que não podemos falar por envolver sigilo e questões estratégicas. Há contatos, o interesse é grande, nossa região é bastante atraente. Esperamos que, em 2008, nossa atuação seja mais pró-ativa. Queremos aumentar nossa rede de contatos e a exposição da cidade de forma que as empresas se interessem por nossa região. O melhor slogan de Londrina é ela mesma.

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