O desemprego é uma das bandeiras da oposição nesta campanha eleitoral. O emprego da situação é a preocupação deste texto. Há dias, por ocasião da divulgação por parte do Executivo de um projeto de demissão para o serviço público, a ser apresentado ao Congresso após as eleições, e a leitura de duas informações sobre desemprego na Japan Air Lines e na Kellog’s, bem como, a sabida substituição de mão-de-obra com o desenvolvimento tecnológico da informática, resolvi escrever.
O serviço público, ontem tido como cabide de emprego e hoje, acessível apenas mediante concurso público, vem ao longo do tempo, possuindo um novo perfil funcional. Aquele que não se instrumentalizar, através de cursos de aperfeiçoamento, que não estiver em permanente atualização, perde a credibilidade perante a instituição.
O advento da globalização fez com que conceitos e valorizações nas instituições, acabassem com o apadrinhado em postos chave. O projeto de demissão supra-citado, segundo os jornais, prioriza a manutenção do emprego para os servidores com mais idade, tempo de serviço e dependentes, por serem estes, em síntese, os que possuiriam mais dificuldade para arrumar um novo trabalho. A idéia é oferecer aos governos estaduais o aparato legal para o ajuste de contas.
Também está definido o projeto de regulamentação administrativa, sobre o desempenho dos servidores públicos, que deve ser encaminhado apenas no ano que vem.
Quanto à Japan Air Lines: ela é uma das linhas aéreas mais conceituadas no mundo, e planeja completar em quatro anos sua reestruturação inicialmente prevista para terminar no ano 2000. Reestruturação esta que prevê a demissão de 2.000 prestadores de serviços em terra. Já a Kellog’s vai demitir 2 mil funcionários, reduzindo o quadro de pessoal, buscando liberar dinheiro para investir em mais publicidade e propaganda.
Estes fatos lidam respectivamente com a Ásia e a América do Norte, o que generaliza a questão do desemprego. Em vários artigos que tenho lido recentemente, informações vindas de diversas fontes relatam que o desenvolvimento da informática substitui a cada dia que passa a mão-de-obra, dinamizando o tempo e fazendo com que o lucro cresça assustadoramente. Mais desemprego, mais aflição para a maioria do povo, que não possui dinheiro para aprimorar o currículo e dinamizar os conhecimentos.
Em Brasília, a administração petista soube aplicar bem o dinheiro dos impostos, melhorando principalmente a malha viária. Quanto ao estímulo para a instalação de empresas, microempresas etc, foi quase omissa, apesar de excelentes intenções do governador Cristovam Buarque. O governador anterior inchou a cidade através dos assentamentos de famílias pobres, vindas do Nordeste em sua maioria. O atual, nordestino, não resolveu a questão do emprego. O desemprego dói aos olhos dos empregados.
Fico pensando em como a população mundial vai ter emprego. Creio que os governantes, aqueles que têm o poder nas mãos, os empresários, não devem pensar apenas na boa aplicação do dinheiro, no retorno vitorioso, no dinamismo, em detrimento das questões sociais. Casos concretos de meninos de rua que têm desejo de sair desta vida, mas não têm oportunidade, são vistos a cada dia que passa. Em contrapartida, as novelas estimulam, em nosso país, a relação sexual, ou seja, o aumento populacional e o consequente desemprego.
Temos que pensar com racionalidade o final do milênio, senão cairemos no erro brutal do lucro, da modernização e de uma grande camada da população faminta, sem chance alguma de almejar o melhor, sequestrando e matando os que têm, enfim, o caos previsto por tantos.
O futuro, esquecem-se, tem o suporte no presente. A emoção, com certeza, solucionará o problema do desemprego, em detrimento da razão. Apenas governantes e empresários de macrovisão, que não pensem só no lucro, ou em elevar seus países a superpotências, tendo a filosofia na alma, sanearão seus problemas.
É preciso que todos sejamos poetas e profetas, racionais e emocionais, para que o mundo não se torne um celeiro de desempregados e famintos, uma elite que passará a ter uma vida norteada pelo medo, pela falta de segurança e de respeito humano.
- ANAND RAO é jornalista em Curitiba

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