Desemprego cai, mas aumenta trabalho informal
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quarta-feira, 31 de outubro de 2018
O desemprego caiu para 11,9% no terceiro trimestre de 2018 no Brasil, atingindo 12,5 milhões de pessoas, mas a queda no índice é resultado do crescimento da mão de obra informal. As informações, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, foram divulgadas na tarde desta terça-feira (30), dia forte para notícias econômicas, pouco antes do presidente eleito Jair Bolsonaro anunciar que as pastas da Fazenda, do Planejamento e da Indústria e Comércio serão unificadas no superministério da Economia.
Segundo a pesquisa do IBGE, a população ocupada aumentou em 1,5% no período, somando 92,6 milhões de brasileiros. O número de desocupados, por sua vez, caiu 3,7% (-474 mil), para 12,5 milhões de pessoas. Em entrevista à imprensa, o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, resumiu a situação. Segundo ele, o número de trabalhadores na informalidade, contando funcionários do setor privado sem carteira e por conta própria, no entanto, supera o de empregados formais. Ele explicou que há uma retirada de pessoas da fila da desocupação. Mas a questão é que o avanço se deu em emprego sem carteira e por conta própria. É um resultado favorável, porém voltado para informalidade e aumento da subocupação.
A quantidade de empregados no setor privado sem carteira assinada cresceu 4,7% em relação ao trimestre anterior, chegando a 11,5 milhões de pessoas. O volume é recorde na série histórica atual da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, iniciada em 2012. O IBGE constatou que, em relação ao mesmo período do ano anterior, houve alta de 5,5%. Já os trabalhadores por conta própria cresceram 1,9% na comparação trimestral, alcançando 23,5 milhões de pessoas, também o maior contingente da série. Na base anual, o avanço foi de 2,6%.
Por outro lado, o total de empregados com carteira assinada ficou estável na comparação com o trimestre anterior - variou de 32,8 milhões de trabalhadores para 32,97 milhões - e com o mesmo trimestre do ano passado (33,3 milhões). A porta de entrada para o mercado de trabalho está acontecendo por meio das vagas informais.
O mercado de trabalho vem apresentando números negativos há muitos anos, compondo o cenário mais cruel da crise econômica. Se em 2014 o número de pessoas desempregadas era 6,75 milhões, em 2017 atingiu o número de 13 milhões. A melhora do quadro, mesmo que pequena, deixa a população mais otimista. O pior momento parece que passou, embora 12 milhões de brasileiros ainda estejam à procura de emprego.



